Chef-à-Porter

Entradas do Dezembro 2008

Ressaca

Dezembro,21 , 2008 · 1 Comentário

Mais que dor de cabeça.

Se você como eu, acorda nos domingos também em um estado nada nobre, normalmente com a roupa da noite anterior e não sabendo como foi parar lá, mas agradecido por isso, vai gostar de saber que a solução dos seus problemas é algo alcoólico. A tal solução é na verdade bastante refrescante, apesar de ter vodca na sua composição e vai lhe restaurar em pouco tempo…claro que além disso você vai ter que seguir alguns passos que vou recomendar aqui e que foram elaborados, testados e comprovados desde os meus 19 anos ou coisa parecida, que foi a época em que comecei a cozinhar quase que diariamente e da mesma forma, me jogar.

Mais deixemos isso de lado e vamos a solução etílica, a razão pela qual você está lendo até aqui. A benevolência das ressacas é o Blood Mary, um drink clássico a base de suco de tomate, vodca (como citei acima) e diversos temperos. O drink foi criado nos anos 20 em Paris pelo americano Peter Petiot no famoso Harrys New York Bar, que funciona ainda hoje no número cinco da rue Doneau. A pedido de muitos americanos que iam ao bar na época, Peter desenvolveu um drink que pudesse ser levado até os Estados Unidos, este submetidos a Lei Seca, uma bebida que pela aparência e odor mascarasse o teor alcoólico e que fosse ao mesmo tempo, fácil de preparar. Com o nome original de Bucket of Blood (Balde se Sangue), o drink só foi ganhar o nome original em 1934, quando passou a ser preparado também nos Estados Unidos no bar do Hotel St. Regis Sheraton, na esquina da Rua 55 com a 5ª Avenida, em Nova York. O explicação mais plausível seria uma referência a rainha Mary I da Inglaterra, que devido a implacável perseguição aos protestantes puritanos durante a restauração do catolicismo apostólico romano no século XVI, tornou-se conhecida por “Blood Mary” ou “Mary, a sanguinária”.

Claro que não poderia faltar a receita do drink, tal porque sem ela não existe cura do sábado a noite e você nem vai poder executar o método que vou descrever abaixo.

 Ingredientes:

- 1 dose de vodca gelada
- 1/6 de copo de suco de tomate gelado
- Sal a gosto
- Molho inglês a gosto
- Pimenta do reino a gosto
- Suco de limão a gosto

Modo de Preparo:

Junte a vodca e o suco de tomate em uma coqueteleira e tempere a gosto com o sal, o molho inglês a pimenta do reino e o suco de limão. É sério, não existe uma quantidade certa de tempero, mas tente equilibrar todos eles para não tem um drink azedo ou parecer que está bebendo molho para salada. Bata todos vigorosamente e sirva em um copo baixo com cubos de gelo e um talo de salsão ou cenoura para decorar/mexer/morder.

Agora deixemos de papo e vamos ao método de cura de uma boa ressaca. Já vou dizer aqui…não é para qualquer um! Se você ler e sentir que não vai segurar a sua onda, por favor, não faça!

Após acordar e perceber que você está daquele jeito, tome um banho frio, gelado se possível. Enquanto toma o banho coloque uma música agitada…nada de rock’n’roll ou eletrônica gritando no seu ouvido. Clássica é a melhor opção, pois é agitada mais com consistência. Beethoven e Tchaikovsky são boas opções. Agora já limpo e com consciência total de tudo, comece tomando um remédio para dor de cabeça (a sua escolha) e comendo alguma coisa. Nada muito pesado, talvez um sanduíche de queijo branco, um pedaço de bolo de fubá, leite com granola…o que você quiser, só tem que ser leve. Com o estômago cheio, aí vem a hora do drink. Prepare um e tome tranquilamente, sem pressa. Quando você terminar tudo, vai estar se sentindo bem ou que está morrendo (que é o caso de quem não vai segurar a onda). Tal método é garantido e pode ser repetido por noite (ou dias) a fio sem conseqüências graves a você.

Ênio e seu Blood Mary

 

     

 

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Banco de Alimentos

Dezembro,19 , 2008 · Deixe um comentário

 

Outro dia no metrô voltando do restaurante, enquanto ouvia música, assistia uma daquelas pequenas televisões sem som que existem dentro do vagão (Nota: se você não mora em São Paulo, por aqui o metrô tem pequenas televisões dentro do metrô para você assistir enquanto faz a viajem), reparei um comercial que me chamou muito a atenção, não só pela idéia, mas pela ação a respeito de um assunto que eu considero um absurdo de existir em nosso país: a fome.

O anuncio em questão era sobre o Banco de Alimentos.

O Banco de Alimentos é uma ONG que combate o desperdício de alimentos retirando, organizando e direcionando gratuitamente alimentos que estão em perfeito estado para consumo até instituições, sendo entre elas asilos e casas de apoio. O trabalho foi idealizado por Luciana Chinaglia Quintão, uma economista que em 1999 começou esse trabalho extraordinário e lindo, que continua até hoje. O site, www.bancodealimentos.org.br tem informações que sobre a ONG, como doar alimentos, ser voluntário, além de inúmeras dicas para reaproveitar melhor os alimentos, um hábito não muito fundo em nosso país.

 

  Banco de Alimentos

  

  

 

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Coco

Dezembro,16 , 2008 · 1 Comentário

Ta aí uma coisa que é ótima pra comer no verão, seja a sua água ou a polpa. Coco. Andando outro dia na feira ví uma senhora ralando uma grande quantidade, bem branco e fresquinho e ao redor dela se amontoavam meninos que beliscavam aquela montanha de flocos e enchiam a boca com uma nuvem de gostos e texturas.

Eu particularmente adoro coco, seja ela em pratos doces ou salgados. Só confesso que não sou muito fã da água. O motivo do meu desdém pela água do fruto é um tanto quanto bobo eu confesso, mas não consigo achar que parece água com sabão. Mas deixemos de lado a minha análise injusta e tratemos de saber o que o coco é. Apesar de ser tão constante em nosso país, o coco é uma fruta original da Índia e seu valor nutritivo varia de acordo com o seu grau de maturação. Apresenta de uma forma geral um alto grau de sais minerais (potássio, fósforo, cloro e sódio) e fibras, tão importantes para a função intestinal, além de ser altamente recomendado para o tratamento da arteriosclerose, para o sistema nervoso, cérebro e pulmões. É uma ótima sobremesa para os diabéticos, pois possui quase nenhum açúcar.

A já citada água de coco, preferência nacional e desgostada por mim, é empregada como diurético por ser rica em sais de potássio e também indicada no tratamento de diarréia, vômitos e até mesmo desidratação. Pode ser usada também em casos de câimbras, problemas cardíacos, pressão alta, dores de cabeça e mal-estar. Ajuda também no combate ao colesterol e pasmem, no crescimento e desenvolvimento infantil.

Já a ingestão do coco maduro é contra indicado a pessoas que tenham problemas cardíacos e que possuam uma taxa de colesterol elevada no sangue. O motivo disso é a alta concentração de gordura que existe na polpa.

Além de todos esses detalhes que você já deveria saber, existe uma forma correta de se escolher um coco. Sim! Para saber se ele está no ponto basta bater nele com uma moeda em sua casca. Se o coco estiver fresco, o barulho emitido será estridente. Já um som oco garante um coco que já se foi e não está mais entre nós. Como eu gosto mais de comer coco é dentro de tapioca ou com couz-couz de fubá com coco ralado, leite de coco e açúcar ou com peixe. Uma sacada bacana é também fazer cubos de águas de coco e servir com vodca. O único jeito que eu bebo é assim.  

Coco fresco ralado

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Escoffianas Brasileiras

Dezembro,12 , 2008 · Deixe um comentário

Em uma mistura gastronomia, respeito pelos ingredientes e cultura brasileira e muita reflexão acaba de sair o novo livro de Alex Atala, intitulado Escoffianas Brasileira. O título é uma alusão a já famosa Bachianas brasileira do famoso maestro Heitor Villa-Lobos e Georges Auguste Escoffier, o grande chef francês responsável pela organização de uma cozinha como a conhecemos hoje. O livro é dividido em três partes, sendo elas “aprendizado”, “sonho” e “realidade”, onde o chef brasileiro descreve como foi seu processo de formação profissional até o momento atual. Tem fotos de Cássio Vasconcelos e a colaboração nos textos da jornalista Carolina Chagas, que passou cinco meses indo ao restaurante D.O.M. pelo menos três vezes por semana para dar forma as experiências e pensamentos de Atala.

Tirando de lado a análise literária da obra, o que gosto mesmo desse grande sujeito que já tive o enorme prazer de trabalhar junto é o respeito pelos ingredientes do nosso país, tantas vezes esquecidos e até mesmo menosprezados e sua habilidade única em transformá-los em uma coisa nunca pensada, através do uso de técnicas clássicas e, ou modernas.

Lembranças memoráveis que tenho de lá são os sorbets, que ajuda a preparar junto com o Jorge, que era o confeiteiro na época em que passei por lá e ainda é o atual. Boas lembranças de bacurí.

Escoffianas Brasileiras

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Alcachofras

Dezembro,10 , 2008 · 1 Comentário

Pode ser um presente daqueles bem de apaixonados, que vivem a suspirar por aí…É comum de se ver na mão das noivas com seus sorrisos na porta da igreja e apesar de linda e gostosa, não tem cheiro e nem pode ser dada aos montes ou buquês. A flor em questão só pode ser comida e a intenção do gesto incorporado por quem se aproveita.

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A alcachofra que tem o nome científico de Cynara scolymus é na verdade uma flor imatura, que pertence a mesma família das margaridas e dos girassóis. Olhando pra ela você deve ficar pensando: “tudo bem, mas, como é que se come isso?” Nada mais fácil. Das alcachofras são consumidas as folhas e o seu coração após a remoção dos espinhos que o cobrem, além da água do seu cozimento que é um poderoso diurético e auxiliador da digestão. Umas das coisas bacanas da alcachofra é que além de ser muito gostosa, leve para ser consumida no calor e boa para diversas preparações é extremamente saudável. Cada 100 gr contêm diversas vitaminas do complexo B, potássio, fósforo, cálcio, iodo, sódio, magnésio e ferro. Seu cultivo começou no Brasil a cerca de 100 anos, trazida na bagagem por imigrantes europeus. Sendo nativa do sul da Europa e norte da África é uma planta de clima temperado a frio, se desenvolvendo muito bem em áreas úmidas. Tem o seu período dos meses de Agosto até Dezembro, quando podem ser encontradas em sua melhor aparência e preço.O lugar ideal para se comprar uma alcachofra é na feira ( lembrem-se, só a feira salva!) e para se escolher uma alcachofra para a compra deve-se observar aquelas que tenham um talo longo e inflorescência firme e bem arroxeada.Depois de compradas devem ser cozidas imediatamente, já que começar a perder suas características logo depois que são colhidas. A primeira vista isso parece ser um problema dos grandes, mas é mais fácil do que se imagina.

 

As regras básicas são:

 

- O talo da flor deve ser cortado próximo à base e as alcachofras devem ser lavadas em água corrente abundante entre as pétalas para a remoção da terra e pequenos insetos.

 

- Durante o cozimento devem ser utilizadas panelas de aço inoxidável ou esmaltadas, já que panelas de alumínio escurecem as flores durante o cozimento.

 

- O tempo médio de cozimento de uma alcachofra é de 40 minutos, mas um truque bem fácil para ver se está pronto é puxar uma folha. Se ela se soltar com facilidade a alcachofra está no ponto.

 

- Ao cozer a alcachofra evite excesso de água, já que grande parte dos nutrientes do vegetal ficam nela. Cubra somente metade das alcachofras com água e cozinhe em fogo brando com a tampa da panela semi-aberta. Caso a água comece a acabar e as alcachofras não estejam cozidas, acrescente mais água e continue o processo.

Pode demorar um pouquinho, mas acredite, o resultado vale a pena.

 

Agora que você já sabe como escolher e preparar uma alcachofra (o que me levou um bom tempo pra descobrir sozinho) vou sugerir aqui uma receita de suflê de alcachofra. É algo bem fácil de fazer na verdade e fica ideal acompanhando aquele peixe assado.

 

 

Suflê de Alcachofras

 

Ingredientes:

 

- 12 corações de alcachofras médios, cozidos em água, limão e sal  
- 2 colheres de sopa cebola picada
- ¼ xícara de chá de manteiga
- 1/3 xícara de chá de farinha de trigo
- 1 e ½ xícara de chá de leite quente
- 4 gemas

- 4 claras
- sal a gosto

- pimenta do reino moída na hora a gosto
- 1 pitada de noz-moscada
- 1 punhado grande de parmesão (eu gosto com bastante, você veja aí)

 

Modo de Preparo:

 

Em fogo baixo aqueça uma panela grande e acrescente a manteiga, refogando nela a cebola até ficar macia. Junte então a farinha de trigo e mexa até a mistura começar a dourar. Acrescente então o leite quente aos poucos e misture até o creme ficar grosso e liso. (Dica! caso alguns grumos se façam no creme, mexa com a ajuda de um fuet ou processe o creme com um mixer).

Acrescente então as gemas e cozinhe, mexendo por 1 minuto. Tempere com sal e pimenta do reino moída na hora e retire do fogo. Adicione então a noz-moscada e junte os corações de alcachofra, previamente processados até virarem uma pasta. Reserve.

Bata as claras em neve até que fiquem firme e misture com o creme de alcachofras. É importante lembrar que as claras que devem ser misturadas ao creme e que a mistura deve ser misturada delicadamente, de baixo para cima, para que o ar das claras não se perca, garantindo assim um suflê leve e fofo.

Coloque a mistura em ramequins individuais ou uma grande, previamente untado e enfarinhado, cubra com o quijo parmesão e leve ao forno a 180 C. Agora um detalhe: não vou colocar aqui um tempo certo e nem uma estimativa já que suflês são coisas muito temperamentais e particulares. O ideal é você das uma olhada de 4 em 4 minutos pra ver em que pé está…quando pronto, deve ficar dourado e firme ao se balançar a ramequim.

Confie em você mesmo! Não precisa ficar perfeito! é a sua casa.

 

 

Alcachofras

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Maria Brigadeiro

Dezembro,8 , 2008 · 3 Comentários

Para que não sabe o brigadeiro ou negrinho é um doce brasileiro criado provavelmente na década de 40, sendo comum em todo o país e normalmente presente nas festas de aniversário junto com o cajuzinho e o beijinho.

O nome do doce é uma homenagem ao brigadeiro Eduardo Gomes. No ano 1950, o militar candidatou-se à presidência da República pela UDN e pelo físico avantajado e de boa aparência, conquistou um grupo de fãs do bairro do Pacaembu em São Paulo, que organizou festas para promover a sua candidatura. Diz a história que em uma destas ocasiões criaram a tal delícia brasileira. Como as festas dos correligionários e cabos eleitorais eram muito disputadas pela população, estes logo começaram a chamar os amigos para “irem comer um docinho do Brigadeiro”. Com o tempo, o nome de “brigadeiro” acabou sendo dado ao doce servido na campanha e que apesar de ter feito muito sucesso e tendo recebido o apoio por todos os glutuões que apareciam na campanha, a eleição foi ganha pelo outro candidato, general Eurico Gaspar Dutra.

 

Por incrível que pareça aprendi a fazer brigadeiro direito esse ano. Nunca tive tanto interesse em aprender como se faz corretamente o tradicional doce brasileiro, mas esse ano fui surpreendido por uma crescente vontade que se tornou então uma compulsão, uma tara pela tal maravilha de colher. Descobri que a melhor forma de fazer brigadeiro é usando manteiga, leite condensado e um chocolate em pó descente e mexer sempre com a ajuda de um fuet em fogo baixo. Quando o leite condensado estiver cozido, mas ainda mole, retire do fogo e deixe esfriar em um prato. Com tal técnica e ponto de cocção, o brigadeiro vira uma jóia, ficando extremamente liso e macio mesmo depois de dias de ter sido feito. Desde então, tenho um prato sempre na geladeira com uma colher dentro.

 

Seguindo por um caminho completamente diferente ao da disputa política por aliciação gastronômica ou ataques de ansiedade acalmados com doses fartas de brigadeiro quase que intravenoso, o site Maria Brigadeiro aposta em explorar o clássico brasileiro em um segmento extremamente fino e bem executado: é o caso dos brigadeiros gastronômicos.

As delícias criadas pela doceira Juliana Motter com técnicas de pâtisserie modernas e dicas de tias e avós trouxe o brigadeiro até o nível gourmet, onde o doce é preparado com diversos tipos de chocolates do mundo e oferecido em mais de 30 opções, entre elas o clássico de chocolate ao leite e amargo, até criações bastante interessantes como os de farofa de castanha de caju ou wasabi.

Os brigadeiros vêm embalagens para presente, que podem variar entre 15, 25, 30 ou 50 brigadeiros sortidos em marmitas de lata até em caixas chiquérrimas para presente.

Infelizmente não existe uma loja da Maria Brigadeiro e todas as encomendas têm que ser feitas através do site www.mariabrigadeiro.com.br, podendo ser retiradas no local ou entregues através de um prático sistema de delivery.

 

Por final e não sendo muito nobre, me lembro que meu pai (veja bem, uma pessoa de 54 anos) tem uma técnica pra comer mais brigadeiros do que as crianças em festinhas infantis. É só empurrar a bandeja de brigadeiro para o meio da mesa, um pouquinho de cada vez, sem que ninguém perceba até a hora dos parabéns. Quem disse que aqueles bracinhos conseguem alcançar o meio da mesa? Repito aqui: não é nobre, mas extremamente eficaz.

 

Brigadeiro

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