Enquanto vagava pelo mercado de São Joaquim, fiquei observando com certo estarrecimento o que se passava por lá e como de sobre-salto um cacarejo familiar me invade as orelhas: tô fraco! tô fraco! to fraco!.
Sabendo do que se tratava comecei a fuçar da onde via aquilo…entrei e saí de barraca, subi e desci e feita inteira, perguntei, até que consegui achar uma jóia em forma penosa que ainda cantava, olhava pra mim e era linda demais.
A galinha d’Angola foi trazida da África na época da escravidão e mesmo domesticada já a muito tempo, mantêm muitos dos seus hábitos selvagens. Anda sempre em bandos e é muito, muito, mas muito barulhenta, cacarejando a plenos pulmões qualquer pessoa que se movimente a sua volta. Por isso é usada até hoje como guarda em fazendas e sítios. Quando percebem estranhos ou qualquer anormalidade se põem a gritar sem parar. São bem parecidas com gansos nesse aspecto, mas bem mais medrosas, correndo sem parar de quelquer coisa. Também colabora com o equilíbrio biológico, pois adora devorar lagartas, formigas e carrapatos.
Pela sua beleza são criadas como aves ornamentais, mas também produzem ovos e vão para a panela. Sua carne tem uma consistência firme e muito saborosa, sendo comparada ao faisão.
Apesar de possuírem todas as mesmas características comportamental, encontram-se em em três tipos . A mais comum é a pedrês, cinza e com bolinhas brancas e igual a todas as fotos de galinha D’Angola que você vê por aí. Existem também as que são completamente brancas e também as chamadas de pampa, resultado do cruzamento das primeiras. Com cerca de 3 meses de vida o macho já possui uma crista pronunciada para a frente, sendo que nas fêmeas a crista é mais arredondada.
Deixemos agora de descrever e vamos ao que realmente interessa, que é comer. As galinhas D’Angola dão cozidos incríveis sendo preparados na mesma panela, com os mais diversos ingredientes. Também são muito boas para ser assar (os melhores em forno a lenha) e se defumar.
A receita a seguir é tranqüila, daquelas de levantar do sofá e fazer em 15 minutos na cozinha. Depois é só jogar tudo no forno e ficar do olho. É muito, mas muito simples, mas acredite, é divino e completamente honesto. É grande e dá pra duas pessoas, convide alguém pra jantar.
Galinha D’Angola com Legumes Rústicos
Ingredientes:
- 1 galinha D’Angola (aproximadamente 1,5 kg)
- 100 gr de cenoura
- 100 gr de batata-doce
- 100 gr de cará
- 100 gr vagem
- 3 a 4 cebolas roxas bem pequenas
- ¼ de garrafa de vinho tinto (não precisa ser muito bom!)
- Sal a gosto
- Pimenta do reino-a-gosto
- Alecrim fresco a gosto
- Tomilho fresco a gosto
- 50 gr de manteiga
Modo de Preparo:
A grande sacada dessa receita é a seguinte: apesar de tudo ter um formato e uma consistência diferentes, todos os ingredientes precisam ficar prontos ao mesmo tempo. Parece complicado, mas não é! Tudo que você que fazer é cortar a batata-doce, o cará e a cenoura todos do mesmo tamanho. Não existem um jeito certo, só faça isso e tudo vai ficar bem. Corte as extremidades das cebolas, as descasque e as coloque inteiras. Com as vagens faça a mesma coisa, só retirando as suas pontas. Coloque todos os vegetais na assadeira e tempere a gosto com sal e pimenta-do-reino.
Lave então a galinha D’Angola em água corrente e a tempere por todos os lados com sal e pimenta-do-reino. Transforme a manteiga em uma pasta, tempere também com sal e pimenta-do-reino e a coloque entre a pele do peito e o peito. É só separar primeiro o espaço com as mãos e depois espalhar a manteiga dentro dele. Nada demais.
Acrescente o tomilho e o alecrim em ramos inteiros dentro da ave e feche bem. Aqueça uma panela e quando estiver bem quente, doure a galinha
por igual. Como você vai observar a manteiga vai derreter na panela. Uma coisa que fica bem boa também é jogar alguns galhos de alecrim e tomilho, o que faz com que a manteiga pegue o gosto da erva. É só tentar, você consegue!
Coloque então a galinha bem douradinha sobre os legumes na assadeira, adicione o vinho tinto a assadeira até que ele cubra o fundo dela. Cubra a assadeira com papel alumínio e leve ao forno a 170 graus. É complicado falar tempo, porque ele varia muito de forno pra forno. Vai demorar entre 50 minutos e 1:20. preste atenção nessa faixa de tempo. Para saber se está boa, um truque é fazer um corte perto da asa do lado de dentro da ave. Se não houver presença de sangue, a ave já está no ponto. Os vegetais também devem ser espetados. Se estiverem todos macios, também já estão no ponto.
Retire o papel alumínio e sirva bem quente.
Acompanha bem uma garrafa de vinho e uma rede no final da tarde.
