Chef-à-Porter

Entradas do Junho 2009

Risoto

Junho,26 , 2009 · 1 Comentário

É chegada à hora! Se você como ¾ da humanidade vai até um restaurante e paga uma pequena fortuna por essa iguaria italiana, saiba que você foi enganado a vida toda. Além de ser muito fácil de fazer, a base de preparo é a mesma e você não precisa comprar aquele gorgonzola ou azeite trufado para ter um bom risoto. Claro que é preciso usar o bom senso, não vá colocar algo sem gosto como chuchu, por favor. O que vale aqui é a criatividade em transformar um ingrediente trivial em algo novo e incrível, gastando pouco ou usando até mesmo o que você tem na geladeira. Ontem à noite preparei aqui em casa – aproveitando o clima de urso polar que fazia – um de cogumelos porcini.          Eu sei que não é uma coisa que todo mundo tem em casa, mas ter um lado italiano na família garante esse tipo de ingrediente permanentemente na sua dispensa.

 

Risoto Porcini

 

Ingredientes: 

- 200 gr de arroz arbóreo

 - 100 gr de manteiga

 - 1 cebola grande picada

 - 2 dentes de alho picados

 - 200 ml de vinho branco seco

 - 250 de cogumelos porcini desidratados

 - 500 ml de água morna

 - Salsinha a gosto

 - Azeite a gosto

 Nota: Esse tipo de cogumelo você não vai conseguir achar fresco, somente seco. Usei italianos na receita, mas chilenos ou uruguaios (que são bem mais baratos), não fazem feio e garantem um bom resultado.

 

Modo de Preparo:

Em uma recipiente junte a água com os cogumelos e espere que eles hidratem, o que leva cerca de dez minutos. A seguir retire os cogumelos da água e os pique grosseiramente, reservando também a água em que eles foram hidratados. É com essa água que adquiriu uma cor escura, um perfume e sabor pronunciado dos cogumelos que você vai cozinhar o risoto.  Em uma frigideira aqueça o azeite e doure o alho, acrescentando em seguida os cogumelos. Quando eles ficarem douradinhos, reserve.

 

Já pro alho!

 

Em uma panela grande em fogo médio comece derretendo 50 gr da manteiga e dourando a cebola. Uma observação bacana é que quanto mais você dourar a cebola, mas potente será o gosto dela dentro do risoto. Como o risoto é de porcini e tem assim um sabor forte, doure a cebola com gosto, acrescentando o arroz em seguida.

Cebolas douradinhas...é a hora do arroz

 

Mexa a mistura por cerca de dois minutos sem parar, acrescentando o vinho branco.

A hora do vinho 

Abaixe então o fogo e comece a mexer o arroz sem parar. Você vai reparar que o amido do próprio arroz começa a fazer ele ficar cremoso e que muito vapor vai ser liberado nessa hora. É nele que está a “deixa” para se colocar o caldo. Quando o vapor não tiver mais um cheiro pronunciado de álcool do vinho, junte a água dos cogumelos.

Colocando o caldo...

 

Não pare de mexer!

A proporção áurea do risoto é sempre uma parte de arroz por três de líquido, mas o que vale aqui é o já famoso exercício de observação e prova. Vá acrescentando líquido aos poucos e provando o arroz até que ele no ponto em que você preferir. Mais firme, mais cozido, não importa, só importa como você gosta e com quem vai dividir.

Pronto! O arroz chegou aonde você queria. Desligue o fogo e acrescente o restante da manteiga, mexendo sempre. A manteiga vai dar um brilho bonito ao risoto e um sabor e textura aveludados.

Cubra o risoto com os cogumelos e salsinha. E nada, é comer e ser feliz. 

É só abrir o vinho

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Ratatouille

Junho,24 , 2009 · 1 Comentário

A receita é curtinha, bem porque não é preciso falar muito desse clássico francês. O ratatouille nada mais é do que um prato rústico criado no século XVIII na região de Provence na França, mas que tem claramente influências italianas e espanholas.O fato de poder ser  servido tanto quente como frio, além de sozinho ou como guarnição garante o ratatouille como um coringa nas horas de aperto.

A receita que eu vou passar aqui é a do MEU  ratatouille, que foge um pouco da receita tradicional francesa. Na verdade existe uma grande discussão sobre esse ponto, já que cada família por lá tem a sua própria e que claro, diz que é a melhor que existe. Ao invez de bater boca e gesticular no ar afoitamente, invente a sua própria e corra pro abraço.

Ingredientes

- 2 abobrinhas cortadas em cubos pequenos

- 1 beringela cortada em cubos pequenos

- 2 cenouras cortadas em cubos pequenos

- 1 cebola roxa grande, cortada em cubos pequenos

- 4 dentes de alho picados

- Azeite extra-virgem a gosto (não vá me usar azeite mequetrefe, por favor!)

- Sal a gosto

- Pimenta do reino moída na hora a gosto

- Alecrim a gosto

- Tomilho a gosto

 

Modo de Preparo

Aqueça uma panela grande com o azeite extra-virgem e frite nele o alho e a cebola. Quando tudo estiver douradinho, acrescente as cenouras a berinjela e as abobrinhas, o alecrim e o tomilho. Abaixe então o fogo e cozinhe os vegetais aos poucos, devagarinho, até que estejam todos al dente ( o engraçado é que apesar das suas diferentes texturas, todos eles ficam prontos juntos). Depois que os vegetais estiverem no ponto, tempere com sal e pimenta do reino.

O meu aqui em casa vai com tainha assada e couz-couz de fubá.

E por aí?

Rataouille

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Bar do Biu

Junho,20 , 2009 · Deixe um comentário

Domingo, dia de folga.

Se você como eu não sabe muitas vezes como fez pra chegar em casa ou quem te levou até ela, talvez exista uma salvação a você caro leitor. Nada de suquinhos, água de coco ou mesmo Blood Mary como mesmo já sugeri por aqui. O que vai segurar as pontas na ressaca e deixar você pronto pra outra é o baião de dois. Caso você não saiba o que é tal maravilha da culinária ultra old-school nordestina, se trata de arroz e feijão verde, misturados com carne de sol desfiada, bacon, lingüiça, cubos de queijo de qualho, cebola, alho, coentro…Enfim, tudo que vai lhe colocar em ordem de novo e deixar tinindo pra outra.

Junto do meu velho (o qual já foi citado inúmeras vezes por aqui) rumei ao único lugar que poderia me salvar, o já famoso Bar do Biu na Cardeal Arcoverde. Chegando por lá o movimento é grande e não se assuste se você tiver que esperar um certo tempo pra conseguir uma mesa. Tome uma caipirinha enquanto espera e observe com atenção os detalhes do lugar, que tem a sua beleza e jeito de casa de avó pela sua simplicidade e cheiros que se espalham por todo o lugar.

Mas pare de reparar, enfim você foi chamado pra sentar! Então não perca mais tempo é peça logo o baião de dois. O cardápio tem ótimas outras opções como sarapatel, caruru e os mais tradicionais quitutes nortenhos, mas não dê bola a eles, o que lhe interessa aqui é o baião.

E quando ele chega você entende porque. Vêm quentinho, junto com carne-de-sol bem macia, abóbora e batata-doce cozida, além de pimenta. Porções extras das coisas mais divinas podem ser pedidas, mas acredite, nenhuma delas é necessária, só mesmo o baião salva.

Bar do Biu

Rua Cardeal Arcoverde, 776 (ao lado da praça Benedito Calixto)

Pinheiros – Zona Oeste.

Telefone: 3081-6739.

Aceita os cartões Diners, MasterCard, Visa. Aceita também os tíquetes Bônus, Cheque Cardápio, Plan Vale Refeição, Smart VR, Sodexho Pass, Ticket Restaurante, Ticket Restaurante Eletrônico, Vale-Refeição e Visa Vale.

Baião de Dois

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Demi-Glace III

Junho,12 , 2009 · 1 Comentário

Finalmente vai acabar!

Após você jogar uma partida de todos os jogos que conhecia esperando o bendito do demi-glace, chegou a hora de finalizar o dito e aproveitar todo o seu esplendor e glória.

Como disse no post anterior você deve cozinhar o molho por mais 24 horas em fogo brando depois de limpa-lo. Em seguida ele vai estar pronto pra ser côa-do. Ao coar retire todo o mire poix e os ossos de dentro do caldeirão, lembrando de retirar dos ossos o tutano, que é a parte do meio do osso que se torna bastante macia após o cozimento, ficando com uma textura muito parecida com a de uma gelatina. Caso o tutano não tenha se desprendido do osso durante o cozimento, retire-o com a ajuda dos dedos e some-o ao molho. O tutano nada mais é do que colágeno puro, que dará ao demi-glace um aspecto brilhante e uma consistência firme e alongada. Após coar, coloque todo o líquido (que não deve ter o volume maior que o de um caldeirão) dentro da geladeira por cerca de 12 horas, para que a gordura suba até a superfície e se solidifique, ficando mais fácil limpar por completo o molho.

Demi-glace com gordura solidificada

Passadas as 12 horas, retire toda a gordura que estiver solidificada na superfície e leve o demi-glace ao fogo brando novamente para que termine de reduzir. Você vai reparar que não é possível retirar totalmente a gordura, mas tudo bem, isso não altera o resultado do molho.

Demi-glace sem gordura

A redução do molho deve ser feita até que o demi-glace ganhe uma textura de xarope, obtendo uma coloração escura e um aroma de carne. Como já comentei aqui não existe um tempo certo para se reduzir, então o exercício da observação se faz de novo extremamente necessário.

Quando o demi-glace atingir a textura de xarope, retire do fogo e deixe esfriar, mas não se assuste se ele engrossar mais quando frio, é normal!

Demi-glace pronto

Depois de frio o demi-glace pode ser dividido em porções e congelado. Um truque bacana é encher formas de gelo e congelar. Depois retire os cubos da forma e os guarde em um saco plástico. Assim, existe sempre uma porção pequena pronta para o uso.

 Não falei que dava trabalho?

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