Chef-à-Porter

Entradas categorizadas em ‘Ingredientes’

Sorvete e Paçoca

Outubro,23 , 2009 · 4 Comentários

Essa foi outra estripulia que aprontei…

No dia seguinte a vaca preta, o sorvete de creme continuou a aparecendo na hora da sobremesa e eu continuei torcendo o nariz pra ele. Impossível comer aquilo como continuação de umas das mais incríveis refeições que já tive, um bollito a moda antiga feito pelo meu pai, que disse ter ficado igualzinho ao que minha bisavó Corina fazia.

Comecei a pensar como transformar pela segunda vez o tal gelado sem ter que me agredir com aquele gosto de coisa industrializada, feita por gente em máscaras de médico e luvas de borracha. O drama pode parecer forte, eu sei, mas é assim que eu vejo a coisa mesmo. A solução parecia clara como o mais profundo azul do seu em um verão inglês: misturar alguma coisa pra criar uma nova sobremesa. Refrigerante não valia mais – não gosto de coisa repetida, parece falta de criatividade, como gente que vive sempre do mesmo jeito  – o que me fez lembrar daquela paçoca que sempre compro e guardo no bolso, um costume antigo que tenho pra estratégicamente matar uma vontade imperativa de doce que surge de vez em quando.

Procurei por tudo quanto foi canto até que achei a dita dentro do bolso de uma camisa xadrez de flanela, usada mais cedo pra ir tomar café na padoca quando comprei a guloseima de amendoim.

O processo de criação foi rápido e muito parecido com o da vaca preta: copo bacanudo cheio de sorvete, esfarela paçoca, joga no sorvete, mistura, mistura, mistura, tá pronto. Simples, fácil e um alívio instantâneo para aquela coisa que vive dentro de você e que grita por comida boa.

Não dá pra ficar sem

Não dá pra ficar sem

A criação que se deu na mesma toalha com estampas de girassol da Vaca Preta e foi sucesso instantâneo. Rendeu a todos uma colherada e muitos suspiros.

Final feliz pro bollito.

Categorias: Dicas · Ingredientes · Receitas
Etiquetado: , , ,

Feira Andina

Outubro,21 , 2009 · 4 Comentários

Domingo, dia se sair pra rua.

Não que nos outros dias não sejam, mas domingo tem toda aquela coisa de acordar tarde, ir tomar café na padoca, voltar pra casa e começar a pensar o que fazer. Ir pegar um sol na piscina do Pacaembu? Pic-nic em algum parque da cidade? Ou começar a beber desde já com os amigos, já que não era tão tarde assim?

Pensando mais no meu estômago e menos em torrar ao sol, se empanturrar de cerveja ou ver meus quitutes serem atacados por formigas artroses, resolvi ir a um lugar que queria visitar fazia tempo: A feira andina do bairro do Parí. Pra você que está surpresa com à noticia se perguntando “como assim feira andina? Isso existe em São Paulo?” eu lhes digo, sim, ela existe! Fica em uma praça chamada Kantuta , que não é nada difícil de achar pertinho da estação Armênia do metrô. Tudo muito bem organizado e limpo, com música típica tocando o tempo todo e muita gente com a mesma idéia: aproveitar o dia de sol, dar risada e comer e beber coisas boas sem se preocupar com nada.

Com o mesmo espírito me pus rumo à feira, mas um pouco ressabiado. Quando vou a feiras  tenho vontade de comprar tudo que vejo. Pra não acabar falido e com dezenas de sacolas com coisas maravilhosas mas que vão estragar antes que consiga provar todas, uso a mesma técnica daquelas feiras livres de bairro: dou uma percorrida por todas as barracas vendo o que cada uma tem de mais legal e depois faço minhas compras com a consciência tranquila, comprando só que achei mais interessante.

Antes de começar a me esbaldar com o que a feira tinha de melhor, fui provar a raspadinha mais old school que eu já ví. Era feita em uma máquina daquelas de vó mesmo, bem antiga, mas muito bem conservada.

Old School raspadinha

Old School raspadinha

O gelo era moído na hora na sua frente e tingido com uma quantidade absurda de groselha.  A Vivi, grande amiga cozinheira não ficou atrás e pediu uma também. Saímos os dois felizes da vida, tingindo a cara de vermelho que nem criança pequena.

Groselha!

Groselha!

Andando e se lambuzando fui direto pra barraca dos pães, todos fresquinhos e muito bonitos. Muito parecidos com nossas broas de fubá, pois são feitos de milho. Já a textura é um pouco diferente, são mais firmes e não tão aerados, mas garantem um ótimo pão com manteiga, que já andei aprontando lá em casa.

Pão de milho

Pão de milho

Em uma barraca mais pra frente, encontrei dois produtos bem tradicionais dos Andes, que não fazia idéia nem que existiam.

O primeiro de chama papaliza, que parece uma batata, mas não é. Tendo um alto valor nutricional e sendo rico em vitamina c, esse tubérculo tem um grande poder cicatrizante, sendo indicado ao tratamento de lesões da pele e da acne.  Cultivado nos altiplanos de países com Bolívia, Peru, Colômbia e Equador a mais de 2.800 metros de altitude, pode aparecer  ocasionalmente em vales de países como Chile ou Argentina. Cresce sem problemas em ambientes gelados e secos, como também em solos secos, ácidos ou arenosos. Seu cultivo se dá preferencialmente em solos negros, com grande quantidade de fertilizante.

Papaliza

Papaliza

O segundo era milho. Até aí nada demais, só que esse era negro, uma das coisas mais esquisitas e legais que vi nos últimos tempos. A moça da barraca falou que não aquilo não era nada. Na Bolívia – onde ela nasceu e cresceu – existe milho das mais variadas cores, não sendo nenhum resultado de manipulação botânica ou genética.  Achei tão legal que comprei um pó de milho roxo – que é uma das outras variedades – pra fazer um mingau. Imagino que vá ficar algo como um cremogema mutante, mas não vejo a hora de provar.

Milho negro

Milho negro

No final não podia deixar de fazer uma parada pra comer alguma coisa. Já tinha visto uma barraca de salteñas que estavam lindas, douradinhas e com um cheiro de atrair a quilômetros de distância. Ficavam todas juntas dentro de uma estufa que mais parecia um carrossel-televisão-de-cachorro. Não tinha como não provar.

Carrossel!

Carrossel!

Comecei com uma de frango que estava uma estupidez de tão gostosa. A carne muito bem desfiada e temperada, com todos os ingredientes dela cortados de forma igual, bem pequenininho. Dava pra ver ali que era um trabalho de carinho, atenção, de alguém que realmente ama fazer aquilo. Além de tudo estava abarrotada de recheio e a massa de uma leveza e finura sem igual.

De frango...

De frango...

Como era impossível comer só uma mas já estava satisfeito, dividi com a Vivi uma de carne de porco que também estava perfeita. Recheio em abundância e ótimo tempero, repletos de amor e atenção.

E de porco

E de porco

A barraca em questão – que você deve ir comer quando aparecer por lá – se chama Salteña Los Camporales, da simpática família de mesmo nome que prepara e serve essas preciosidades em forma de quitute

Se você for lá, procure!

Se você for lá, procure!

E foi isso. Só faltava me arrastar pra casa, me deitar um pouco e aproveitar o resto do domingo vendo um filme ou ouvindo música. E assim a vida vai.

Feira Andina

Praça Kantuta , s/n – Pari

Pertinho da estação Armênia do metro. Junção entre a Rua das Olarias e Pedro Vicente.

Começa ao meio-dia e vai até o final da tarde. Pra que a pressa?

Categorias: Dicas · Ingredientes · Lugares
Etiquetado: , , , , , , , , , ,

Os tais Mangaritos

Agosto,14 , 2009 · 1 Comentário

Há algum tempo venho acompanhando no blog da Roberta Sudbrack o seu entusiasmo e curiosidade sobre o mangarito. Foi recebido no restaurante da famosa chef com a maior das alegrias e de pronto posto a testes e experimentações dos mais variados. Torrar, secar, cozinhar e o que mais fosse possível com o novo ingrediente.

Para ser sincero eu nunca tinha ouvido falar sobre o tal, nem visto nenhum por aí. Imaginava que seria uma fruta ou legume parecido com uma trufa, mas para minha surpresa, o mangarito é algo nosso, completamente brasileiro e que infelizmente está quase desaparecendo.

O Xanthosoma sagittifoliun, nome científico do mangarito é uma planta da família das aráceas e apresenta três variedades com folhas macias como verduras e tubérculos de sabor agradável quando cozidos. O mangarito dedo-de-negro é constituído de muitos tubérculos pequenos, é preto e semelhante a um polegar. Já o mangarito branco tem tubérculos do tamanho de uma noz e de cor clara e os mangaritos roxos são arredondados e castanhos, de coloração purpúrea. As duas últimas variedades são as mais cultivadas e mesmo que o mangarito roxo seja mais nutritivo e contenha mais gordura que o mangarito branco, não é considerado mais saboroso que o último, que produz raízes maiores.  

Os mangaritos se desenvolvem melhor em regiões de clima quente e em solos férteis e secos. Seu plantio acontece entre os meses de Agosto e Outubro e sua colheita do mês de Maio até Agosto. Ao contrário de outros tubérculos que se conservam por anos dentro da terra, como a taioba, o mangarito deve ser colhido anualmente, já que se deteriora com facilidade.

O único produtor de mangarito que encontrei é o Sr. João Lino Vieira, um sertanejo de origem humilde e criado em uma fazenda de café. Desde criança ele se lembra de quando sua mãe preparava de uma forma muito simples e com os ingredientes disponíveis aquelas “batatinhas” que chamavam de mangarito, o qual nunca saiu da sua cabeça.

Quando comprou um pequeno sítio na cidade de Sarapuí, perto de Sorocaba,  imediatamente começou o cultivo do mangarito mesmo sem ter o conhecimento de como faze-lo. Durante quatorze anos, fracasso depois de fracasso, o cultivo do mangarito foi se afinando. No ano de dois mil e um, com o cultivo a pleno vapor, João teve a idéia de anunciar sua produção no suplemento agrícola no Estado de São Paulo, que para a sua surpresa teve uma avalanche de interessados no tubérculo, tanto para consumo como também para plantio.

Os mangaritos podem ser conferidos no restaurante da Roberta Sudbrack no Rio, em uma versão bastante interessante de ravióli de mangarito, o qual foi servido nos últimos dias ao grande maestro indiano Zubin Metha, que pediu para repetir o prato.

Aqui em São Paulo não vi ninguém ainda aprontando nada com os mangaritos…Na verdade não conheço ninguém que tenha coloca as mãos neles…Quem será o primeiro?

Categorias: Dicas · Ingredientes
Etiquetado: , , , , ,

Bolonhesa Kosher

Agosto,5 , 2009 · Deixe um comentário

Ontem à noite, como nas maiorias das segundas, fui jantar na casa da minha mãe. Acho que não tem ninguém que mesmo comendo fora todos os dias ou fazendo comida para os outros, como é o meu caso, resista a aquele tempero que cresceu junto com a gente, que nos abraçou e fez cócegas até ficarmos sem ar.

Cheguei um pouquinho atrasado, na hora em que todos se sentavam a mesa. Bati o olho por cima e vi uma cumbuca cheia de molho, enquanto do outro lado da mesa uma travessa repleta de espaguete balançava na mão de alguém que não consegui ver, dadas as garrafas de vinho que tapavam a minha visão.

O jantar só podia ser um bolonhesa daqueles sinceros, da mamãe, de comer de joelhos. Me joguei, devo ter comido umas três vezes. Fechava os olhos e me sentia de novo pequeno, sentado no banquinho da cozinha enquanto almoçava antes de ir pro colégio.

Bolonhesa na mamãe... 

Nem me lembro de como consegui chegar vivo até o final, só estava era feliz mesmo por estar lá. Enquanto os pratos eram tirados pra dar sequência à sobremesa, minha mãe me puxa de lado e pergunta:

 - “Gostou do molho?” com um sorriso de quem quer dar risada e contar um segredo ao mesmo tempo.

 - “Gostei sim, incrível”, respondi

 - “Então, era kosher” me disse toda orgulhosa.

É assim que é vendido...

 

Fiquei um pouco intrigado com aquilo. Minha mãe tinha feito um prato incrível, fantástico, com carne kosher e nem mesmo que era judeu na mesa, consegui sacar alguma diferença.

Eu nunca tinha comida carne kosher e devo dizer que foi uma experiência bem boa. A consistência é exatamente a mesma e o sabor um pouquinho mais fraco do que a carne que estamos acostumados.

Conversando com que era judeu a mesa, descobri que o processo para se obter a carne kosher, se baseia em matar o animal sob a supervisão de um rabino de uma forma rápida e indolor e retirar todo o sangue possível da carne através da sua secagem ou mesmo sal. Dessa forma a carne se torna kosher, ou “própria” em hebraico. Um animal que tenha morrido de qualquer outra forma que não o sacrifício ritual, é chamado de “neveila”, que significa literalmente “coisa suja”.

A Torá, que é o livro sagrado para os judeus, não fala claramente o porquê da maioria das leis alimentares, sendo que as razões podem ser de ordem filosófica, ritualística, ou até mesmo higiênica ou práticas. Alem do consumo de carne kosher, o Cashrut, que é termo para às leis de alimentação no judaismo, não permite o consumo de carne de porco, todos os frutos do mar, peixes que não possuem escamas, carne com sangue e qualquer alimento que misture carne com leite.

Kipá! 

Achei bacana saber, mas seria incapaz de praticar. Imagina ficar sem comer o que vêm do mar? E bife a parmegiana? E torresminho?

Categorias: Dicas · Ingredientes
Etiquetado: , , , ,

Biodinâmico não é só vinho não…

Julho,31 , 2009 · Deixe um comentário

Ontem quando vi a notícia de que os alimentos orgânicos não contem nutrientes a mais e assim não fazem nem mais, nem menos bem para a nossa saúde, fiquei um pouco chateado com a forma de como a notícia estava sendo mostrada.Parecia que todos nós tínhamos sido enganados a vida inteira por uma falsa promessa de uma vida mais equilibrada e saudável.

O que muita gente se esquece é que estamos ajudando em primeiro lugar o planeta, não despejando na sua terra e água venenos dos mais diferentes tipos e agrotóxicos escabrosos. Não estamos forçando a natureza a fazer algo de forma acelerada, mal-acabada, estamos respeitando o tempo correto de crescimento e maturação dos vegetais. Estamos consumindo conscientemente, gerando uma renda adequada a todos aqueles que participam no ciclo

Combinando alguns aspectos da agricultura orgânica , a agricultura biodinâmica sugere uma interação entre a terra, o homem e o espaço. Todas as características do cultivo orgânico estão lá: A utilização de uma elevada diversidade biológica que minimiza o desenvolvimento de pragas e doenças, o uso de um sistema de rotação de culturas – ou seja, não se planta sempre a mesma coisa – além de uma fertilização orgânica. O uso de agrotóxicos ou qualquer substância química ou sintética é repudiado.

O que diferencia a cultura biodinâmica é que além das ações físicas, são tomadas ações de procuram equilibrar a terra e os elementos do universo. São utilizados preparados biodinâmicos que podem conter quartzos moídos, além de flores e ervas para tratar do solo e das plantas de uma forma geral. Um composto animal é usado como fertilizante e o um calendário astrológico para escolher os momentos ideais para realizar as atividades agrícolas. Todo o espaço de tempo entre o tratamento da terra, o plantio e a colheita e rigorosamente respeitado, promovendo assim através dos alimentos, uma união e integração íntima com a natureza.

Mesmo morando aqui em São Paulo você consegue achar produtos biodinâmicos com tranqüilidade. Já é famosinha a feira que acontece todas as quintas-feiras das seis e meia da manhã até a uma da tarde, na rua São Benedito no Alto da Boa Vista. A rua é meio escondidinha, fica ali ao lado de um convento, entre as ruas Alexandre Dumas e Américo Brasiliense. Muito produtores locais, guloseimas de sítio, além daquela experiência bacana de poder falar com quem planta, conversar sobre ingredientes e trocar receitas.

 Pra ser sincero eu nunca preparei nada só com alimentos biodinâmicos, só mesmo com orgânicos, mas vale e muito, uma tentativa.

Categorias: Dicas · Ingredientes · Lugares
Etiquetado: , , , , ,

Organizando

Julho,30 , 2009 · 1 Comentário

Acabou se sair do forno um estudo britânico que diz que alimentos orgânicos – pasmem! – não apresentam benefícios nutricionais a mais do que os alimentos produzidos da forma convencional.

Após analisar mais de 160 artigos médicos dos últimos 50 anos, pesquisadores da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, não encontraram diferença significativa de nutrientes entre aqueles produzidos de forma orgânica e de forma tradicional. Segundo um dos relatores do estudo, Alan Dangour, os alimentos orgânicos tem sim uma quantidade a mais de nutrientes, só que ela é tão pequena que não tem relevância alguma na saúde do homem.

O mercado de orgânicos movimentou no último ano uma quantia de U$ 47 bilhões de dólares no mundo, já que seus preços são consideravelmente elevados a aqueles produzidos da forma convencional. Já nesse ano as vendas não estão tão favoráveis aos produtores orgânicos, pois a recessão fez com que a venda de alimentos desse tipo despencasse consideravelmente. Os consumidores têm preferido reduzir o valor de suas compras.

Pode ser que os orgânicos não tenham de fato um valor nutritivo superior, mas a diferença neles é gritante quando se leva em conta o visual e o sabor. Suas cores são mais intensas, seu tamanho é consideravelmente menor, seu sabor mais rico e pronunciado e sua digestão mais simples e tranqüila do que vegetais impregnados de produtos químicos e carnes cheias de hormônios, como é o caso do salmão que falei por aqui ontem.

Seu custo é mais elevado sim, mas devido a fatores que não são considerados na produção convencional, como o não uso de substancias quínicas  de qualquer espécie nos vegetais, agrotóxicos para a proteção contra pragas, além de repelir o uso de alimentos geneticamente modificados.

Na produção de alimentos orgânicos também se segue a idéia de agricultura sustentável, que tem como base a conservação do meio-ambiente, a criação de unidades agrícolas lucrativas e de comunidades agrícolas prósperas, ou seja, a venda dos produtos a um preço justo para quem planta – que caso você não saiba, é o que mais tem trabalho e o que menos ganha na produção de alimentos – e a união dessas unidades, criando assim comunidades.

O papo pode parecer meio hyporonga demais, mas acho que no final das contas vale a pena pagar um pouquinho a mais pelos produtos orgânicos, pois mesmo não contribuindo com nutrientes a mais em nossa dieta, você tem sabores e cores completamente diferentes, além de ter uma consideração especial com quem se dedica a plantar, cuidar e passar pra frente um produto diferenciado.

Muito parecido com o cultivo orgânico, o cultivo biodinâmico é também uma alternativa a produção de alimentos mais saudáveis.

 Mas isso é outro assunto…

Categorias: Dicas · Ingredientes
Etiquetado: , , , ,

Tão Dopando o Salmão

Julho,30 , 2009 · Deixe um comentário

Achei bizarro e absurdo o que estão fazendo com os salmões no Chile. Outro dia vi uma notícia que dizia que o Chile usou cerca de 300 toneladas de antibióticos em 2008 e 385 toneladas em 2007 para criar seu pescado. Em uma informação publicada pelo instituto de saúde pública norueguês, esse número supera em 346 vezes o número de antibióticos usados pela Noruega em 2008 e quase em 600 vezes da quantidade usada pelo país em 2007.

 Detalhe: A Noruega é a primeira em exportação de salmão no mundo, o Chile é o segundo.

Parece que todo o abuso no uso dos antibióticos aconteceu como uma tentativa de conter um vírus conhecido como anemia infecciosa do salmão, ou na sigla em inglês, ISA. O tal ISA já matou e vem matando milhões de peixes no Chile desde 2007 e os ambientalistas apontam o seu rápido crescimento devido às péssimas condições sanitárias aonde os peixes são criados.

O pior é que segundo dados do ministério da agricultura do Chile, um terço dos antibióticos usados e que correspondem à família da quinolona, não são aprovados para consumo humano pelo FDA, que é o órgão regulador de alimentos e bebidas dos Estados Unidos. No ano passado o FDA já tinha intimado três empresas de salmão que trabalham no Chile e uma na Noruega por usar antibióticos e outras substância não aprovadas pelo órgão.

Daí você fica pensando. Mas como é que pode? Eu como pouca carne vermelha, sendo mais fã mesmo de peixes e de tudo que vem do mar. Pensava que assim ia ficar livre de todas as gororobas que eles colocam na carne e no frango principalmente. Agora além de tomar cuidado para não se comprar um peixe, que já tenha sido batizado pelo peixeiro com nitrato para fazer ele ficar bonito por mais tempo – e que tem aos montes por aí! – vou ter que me preocupar com mais essa, já que o governo chileno vê mais importância em enfiar o dinheiro no bolso e aumentar cada vez mais a produção a qualquer custo do peixe, do que garantir a saúde para todos que fornece.

Tenho vontade de viver numa fazenda e criar tudo que eu for comer de perto. Mas não salmão.

Fazenda de Salmão

Categorias: Dicas · Ingredientes
Etiquetado: , , , , ,

Encontrando Neem

Julho,10 , 2009 · 3 Comentários

O que seria o Neem? uma planta milenar utilizada na Índia para a cura de inúmeras doenças, um potente adubo orgânico ou uma solução natural para controle biológico de pragas?

Na verdade é tudo isso, acredite. O Neem – também conhecido como Nim ou Amargosa –  é uma planta que possui inúmeros usos como já descrevi acima, sendo que o meu favorito entre eles não está relacionado a curar nenhuma enfermidade, adubar alguma plantação por aí ou impedir que uma nuvem de gafanhotos tome conta de alguma plantação, mas sim o curry.

Uma curiosidade que sempre tive foi de preparar o curry em casa – sim, o curry é um produto e não algo pronto que se encontra na natureza! – mas nunca tinha encontrado as folhas de Neem para isso.

Procurava em mercados de comida oriental, na liberdade, no mercadão e nada de encontrar a bendita. Até que hoje por um capricho, em uma tarde chuvosa e mal-humorada em São Paulo, ela me aparece.

Fiquei olhando de perto, não acreditando o que tinha encontrado. “Aqui!? Mas como assim? De quem será isso?” pensei.  Cheguei mas perto, peguei um dos galhos na mão e arranquei uma folha.

O cheiro era característico, algo entre amendoim torrado e óleo de gergelim e as folhas pequenas e de um verde brilhante pareciam com aquelas que tinha visto somente através de imagens. A confirmação só veio mesmo pelo sabor forte de amendoim, mas dessa vez em uma nuance mais terrosa e pronunciada. O sabor se espalha por dentro de você todo, sendo possível senti-lo só de se respirar.

 Folhas de Neem

Feliz com minha descoberta e causando uma certa estranheza por parte do guarda que fazia a segurança da rua, arranquei um dos galhos com folhas suficientes para se fazer curry para um batalhão e fui colocando na mochila, feliz da vida.

Por enquanto vou colocar só mesmo a planta por aqui, a receita do curry fica para um outro dia.

Não vou colocar também onde fica a planta, já que ela é fruto do trabalho e de muita paciência de alguém que a plantou por lá e esperou ela crescer.

Se alguém quiser umas folinhas me mande um e-mail, que eu entrego com o maior prazer.

Árvore de Neem

Categorias: Dicas · Ingredientes
Etiquetado: , , , , , ,

Couz-Couz

Julho,8 , 2009 · 1 Comentário

Hoje de manhã acordei com fome.

Pensava sozinho na cama, ainda deitado, o que ia me safar daquele vazio, já que não se tratava de uma fome de todas as manhãs, algo que poderia ser aplacado com um simples café com leite e pão de queijo. Algo maior era necessário, que me desse um chute nos fundilhos e me pusesse pronto.

Daí veio à idéia: Couz-couz.

Não vá pensando você aí que falo daquele couz-couz marroquino, feito de sêmola importada e afins, mas sim da base de alimentação de todo o povo Nordestino. “Quitute de cabra macho” como já disse Chiquinho, um pernambucano da gema ao me apresentar o tal.

Existem muitas semelhanças entre o couz-couz de sêmola, que todos nós estamos acostumados a comer por aí com o cou-couz “brasileiro”. Ambos precisam ser hidratados antes de serem deglutidos, só que o couz-couz de milho deve ser hidratado com água fria e depois cozido ao vapor, em uma panela própria para esse fim.

A panela ou couz-couzeira – vamos chamar assim – pode ser encontrada facilmente em feiras livres na cidade ou mesmo em casas que vendam produtos nordestinos. Não são nada caras e duram muito tempo. Além de couz-couz você pode também cozinhar outras alimentos, já que se trata a princípio de uma panela a vapor. Existem duas partes na panela: A de baixo da grade que estou levantando é um reservatório de água e deve ser completada até a metade. Já a parte superior é a grade onde será colocado o couz-couz-couz depois de hidratado. 

Couz-Couzeira desmontada

Voltemos então ao couz-couz…

Pode ser consumido tanto quente como frio, doce ou salgado. Tem gente que gosta com leite gelado, açúcar e coco, outros com carne de sol e queijo de coalho. Acho que até com foie gras fica bom. Enfim, as combinações são muitas. Vou mostrar por aqui como fazer o jeito mais tradicional pernambucano old-school que existe, o couz-couz com ovo mexido.

 

Couz-Couz (esse é com ovo, mas fique livre pra inventar a sua)

 

Igredientes:

 - 200 gr de couz-couz de milho (bem fácil de encontrar no supermercado. É descrita como farinha de milho flocada)

 - 80 ml de água

 - 3 ovos batidos

 - 50 gr de manteiga

 - Sal a gosto

 - Pimenta do reino a gosto

 

Modo de Preparo:

Coloque o couz-couz em um prato e adicione a água e sal a gosto. Vá mexendo com a ponta dos dedos até sentir que todo o couz-couz está umedecido e solto de um floco do outro. A textura deve ser bem leve e sua cor deve se intensificar.

Hidratando o Couz-Couz

Deixe hidratar por cerca de 10 minutos e coloque sobre a grade da couz-couzeira.

Indo pra Couz-Couzeira

Leve então a panela ao fogo alto até que a água comece a ferver e o movimento do vapor seja abundante. Desligue o fogo da panela e parta para os ovos.

Em uma frigideira aquecida, coloque metade da manteiga e espere que ela derreta. Acrescente então os ovos batidos, abaixe o fogo e vá mexendo devagar. Aos poucos o ovo vai começar a coagular e você deve mexer mais rápido. Daí então você escolhe:

Se quiser os ovos mais moles – como eu prefiro – deixe pouco tempo no fogo. Se os prefere um pouco mais secos e firmes, deixe mais tempo.

Vale ressaltar sempre: o exercício da observação e senso é absolutamente necessário.

Quando os ovos estiverem do seu agrado, tempere então com sal, pimenta a gosto e o restante da manteiga.

Sirva na hora quentinho, junto com o couz-couz e manteiga.

Couz-Couz pronto!

Da-lhê!

Categorias: Ingredientes · Receitas
Etiquetado: , , , , , ,

Maple Syrup em Higienópolis

Julho,4 , 2009 · 2 Comentários

Um achado na cidade.

Vindo do centro onde moro em direção a Higienópolis, me deparei com uma surpresa daquelas de abrir a boca, de ficar embasbacado. Não sei se alguém reparou ou mesmo sabe, mas ficou em silêncio cultivando o mesmo tipo de entusiasmo que eu.

Na esquina da Av. Angélica com a Rua Goiás, tem uma não, mas várias árvores de Bordo.

Achado!

O bordo, símbolo da bandeira do Canadá – onde ficam a maioria deles – é uma árvore do gênero Acer, sendo os gêneros Acer nigrum e Acer saccharum os mais utilizados para se extrair a seiva elaborada da planta. O curioso é que a seiva é um tanto líquida, sendo necessários dezenas de litros de seiva para a fabricação de poucos litros de xarope.

O Canadá além de possuir a maioria dos Bordos do mundo leva o uso do xarope para além do preparo de sobremesas, sendo servido junto com carnes de caça, porco ou mesmo Alce, comum por lá.

Maple!

Panquecas e sofá now!

Categorias: Ingredientes · Lugares
Etiquetado: , , , , , , ,