Chef-à-Porter

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Feira Andina

Outubro,21 , 2009 · 4 Comentários

Domingo, dia se sair pra rua.

Não que nos outros dias não sejam, mas domingo tem toda aquela coisa de acordar tarde, ir tomar café na padoca, voltar pra casa e começar a pensar o que fazer. Ir pegar um sol na piscina do Pacaembu? Pic-nic em algum parque da cidade? Ou começar a beber desde já com os amigos, já que não era tão tarde assim?

Pensando mais no meu estômago e menos em torrar ao sol, se empanturrar de cerveja ou ver meus quitutes serem atacados por formigas artroses, resolvi ir a um lugar que queria visitar fazia tempo: A feira andina do bairro do Parí. Pra você que está surpresa com à noticia se perguntando “como assim feira andina? Isso existe em São Paulo?” eu lhes digo, sim, ela existe! Fica em uma praça chamada Kantuta , que não é nada difícil de achar pertinho da estação Armênia do metrô. Tudo muito bem organizado e limpo, com música típica tocando o tempo todo e muita gente com a mesma idéia: aproveitar o dia de sol, dar risada e comer e beber coisas boas sem se preocupar com nada.

Com o mesmo espírito me pus rumo à feira, mas um pouco ressabiado. Quando vou a feiras  tenho vontade de comprar tudo que vejo. Pra não acabar falido e com dezenas de sacolas com coisas maravilhosas mas que vão estragar antes que consiga provar todas, uso a mesma técnica daquelas feiras livres de bairro: dou uma percorrida por todas as barracas vendo o que cada uma tem de mais legal e depois faço minhas compras com a consciência tranquila, comprando só que achei mais interessante.

Antes de começar a me esbaldar com o que a feira tinha de melhor, fui provar a raspadinha mais old school que eu já ví. Era feita em uma máquina daquelas de vó mesmo, bem antiga, mas muito bem conservada.

Old School raspadinha

Old School raspadinha

O gelo era moído na hora na sua frente e tingido com uma quantidade absurda de groselha.  A Vivi, grande amiga cozinheira não ficou atrás e pediu uma também. Saímos os dois felizes da vida, tingindo a cara de vermelho que nem criança pequena.

Groselha!

Groselha!

Andando e se lambuzando fui direto pra barraca dos pães, todos fresquinhos e muito bonitos. Muito parecidos com nossas broas de fubá, pois são feitos de milho. Já a textura é um pouco diferente, são mais firmes e não tão aerados, mas garantem um ótimo pão com manteiga, que já andei aprontando lá em casa.

Pão de milho

Pão de milho

Em uma barraca mais pra frente, encontrei dois produtos bem tradicionais dos Andes, que não fazia idéia nem que existiam.

O primeiro de chama papaliza, que parece uma batata, mas não é. Tendo um alto valor nutricional e sendo rico em vitamina c, esse tubérculo tem um grande poder cicatrizante, sendo indicado ao tratamento de lesões da pele e da acne.  Cultivado nos altiplanos de países com Bolívia, Peru, Colômbia e Equador a mais de 2.800 metros de altitude, pode aparecer  ocasionalmente em vales de países como Chile ou Argentina. Cresce sem problemas em ambientes gelados e secos, como também em solos secos, ácidos ou arenosos. Seu cultivo se dá preferencialmente em solos negros, com grande quantidade de fertilizante.

Papaliza

Papaliza

O segundo era milho. Até aí nada demais, só que esse era negro, uma das coisas mais esquisitas e legais que vi nos últimos tempos. A moça da barraca falou que não aquilo não era nada. Na Bolívia – onde ela nasceu e cresceu – existe milho das mais variadas cores, não sendo nenhum resultado de manipulação botânica ou genética.  Achei tão legal que comprei um pó de milho roxo – que é uma das outras variedades – pra fazer um mingau. Imagino que vá ficar algo como um cremogema mutante, mas não vejo a hora de provar.

Milho negro

Milho negro

No final não podia deixar de fazer uma parada pra comer alguma coisa. Já tinha visto uma barraca de salteñas que estavam lindas, douradinhas e com um cheiro de atrair a quilômetros de distância. Ficavam todas juntas dentro de uma estufa que mais parecia um carrossel-televisão-de-cachorro. Não tinha como não provar.

Carrossel!

Carrossel!

Comecei com uma de frango que estava uma estupidez de tão gostosa. A carne muito bem desfiada e temperada, com todos os ingredientes dela cortados de forma igual, bem pequenininho. Dava pra ver ali que era um trabalho de carinho, atenção, de alguém que realmente ama fazer aquilo. Além de tudo estava abarrotada de recheio e a massa de uma leveza e finura sem igual.

De frango...

De frango...

Como era impossível comer só uma mas já estava satisfeito, dividi com a Vivi uma de carne de porco que também estava perfeita. Recheio em abundância e ótimo tempero, repletos de amor e atenção.

E de porco

E de porco

A barraca em questão – que você deve ir comer quando aparecer por lá – se chama Salteña Los Camporales, da simpática família de mesmo nome que prepara e serve essas preciosidades em forma de quitute

Se você for lá, procure!

Se você for lá, procure!

E foi isso. Só faltava me arrastar pra casa, me deitar um pouco e aproveitar o resto do domingo vendo um filme ou ouvindo música. E assim a vida vai.

Feira Andina

Praça Kantuta , s/n – Pari

Pertinho da estação Armênia do metro. Junção entre a Rua das Olarias e Pedro Vicente.

Começa ao meio-dia e vai até o final da tarde. Pra que a pressa?

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Sanduíche de Pernil

Setembro,29 , 2009 · 3 Comentários

No domingo me deu vontade de comer um sanduíche de pernil.

Confesso aqui que sou fã, doido, louco, tarado mesmo por um sanduíche daqueles bem feitos, com o carne bem macia, aquele molho que ficou assando junto com o pernil, embrulhado por um pão fresquinho. Não consigo pensar em nada melhor, juro.

Saí pela Peixoto, subi a Augusta e fui em direção ao BH, que fica ali na esquina na mesma rua com a Luís Coelho, pertinho da Av. Paulista. Sentei no balcão e fiquei olhando o movimento.

Coladinho no balcão

Você que está aí lendo e que só vai a restaurante emperequetados, cuidado! Esse post não é para você! Ainda é tempo de parar de ler e ir comer alguma coisa nos jardins ou Higienópolis, mas garanto que você vai estar perdendo uma das melhores coisas da vida.

Não fiquei enrolando muito e pedi de cara o sanduba. A coisa toda também é bem rápida, sendo que você vê todo o processo de criação, que eu adoro. Corta pernil, pernil na chapa, pernil no pão, você feliz. O processo não demora mais do que 5 minutos e o que chega pra você, é issoSanduba de Pernil

Pão torradinho, fatias fininhas de carne suculenta junto com o molho que assou todo o tempo junto com o pernil e queijo. E é isso. Ataquei e fui comendo em paz. A carne tá escapando por um canto do pão? Empurra ela com o dedo de volta. Pingando gordurinha do dedão? Chupa o dedo. Não vale nenhum tipo de censura o pudor, o que importa é aproveitar.

Depois de tudo não tem mais nada o que dizer.  Só alegria.

O final da festa

 

BH

Rua Augusta 1533, São Paulo

Telefone: (11) 3283 3653

Aberto todos os dias, o tempo todo, sempre

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São Paulo Restaurant Week – Brasil a Gosto

Setembro,4 , 2009 · Deixe um comentário

Começando minha visita aos restaurantes da São Paulo Retaurante Week, dei uma passada no Brasil a Gosto para ver o que Ana Luiza Trajano tinha aprontado para o evento. Cheguei na hora marcada para a reserva – às 13:30 – e fui muito bem recebido e rapidamente conduzido a minha mesa, aonde me apresentaram o menu do evento.

Já sabia de cara o que queria, tanto que pedi já os três pratos sem pestanejar. Antes, decidi atacar o couvert

Couvert mais que brasileiro

Biscoitinhos de polvilho sequinhos e crocantes vinham dentro de um tradicional pote de barro, enquanto batatas doces, mandioquinhas e mandiocas sequinhas e na finura de um papel apareciam fritas, estourando na boca de crocantes e com uma cor viva. Só fiquei um pouco triste por não estarem quentes, o que garantiria um escândalo de tão bom. Havia ainda duas opções de manteiga, uma tradicional e outra misturada à castanha de baru, o que resultou em um sabor mais vegetal. Também havia um incrível queijo cremoso, acompanhado por um pesto de cheiro verde. Todas as opções estavam muito boas, destacando para a textura cremosa e pela leveza. Os pães também mereciam atenção. Quanto mini opções, sendo elas de pão de leite, abóbora, broa de milho e pão de queijo. Todos quentes, leves e com cor e aroma de primeira.

Passado o couvert, os pratos foram chegando calmamente a mesa, sem pressa ou afobação. Ponto para o serviço, que mesmo dando uma escorregada no começo – me trouxeram a entrada enquanto estava no meio do couvert – sempre foi muito atencioso e rápido.

A entrada, um canapé de banana-da-terra com queijo cremoso e geléia de pimenta agradou no sabor, mas ficou um pouco pesada demais na boca, devido à base do canapé que era pão, junto com as bananas, que já tem bastante massa. A geléia e o queijo tentaram dar aquela umidade para equilibrar o prato, mas não conseguiram.

Canapé de banana-da-terra, queijo cremoso e geléia de pimenta

O prato principal, um bife fino de porco com molho de jabuticaba, purê de inhame e bananas grelhadas também estava muito bom, mas novamente escorregou nos detalhes. O bife estava um sonho, com ótima textura, humidade, cor e um gosto tão pronunciado de porco que parecia daqueles de fazenda. O molho acompanhava com exatidão a carne, com uma cor e textura corretas, alem de ter frutas em grande quantidade e um sabor azedinho, que casava com alegria o porco. O único problema do prato foi o purê, que parecia mais um inhame cozido e amassado. Faltava leveza, volume e brilho, além de sua mistura com a banana provocar a mesma sensação pesada do canapé.

Bife de porco com molho de jabuticaba, purê de inhame e banana-da-terra grelhada

 

A sobremesa foi à melhor parte da refeição, mesmo para mim que não sou muito chegado em doces. Uma bananada de fazenda, morna, cremosa e cheirosa, com uma cor linda acompanhada de um sorvete de nata que parecia uma pluma de tão leve e que não cometia o pecado do açúcar em excesso, além de pralines torradinhos de coco com castanha-do-pará.

Um absurdo.

Bananada com pralines de castanha-do-Pará  e coco com sorvete de nata

 

E foi isso. Paguei a conta, dei aquela contribuição bacana para a Ação Criança, que é a causa principal de todo o evento e me fui andando pela rua, aproveitando o sol da tarde e o vento.

Deu até pra ver o fim da feira na Barão de Capanema.

Fim de feira na rua do D.O.M.

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Guanabara

Setembro,1 , 2009 · 2 Comentários

Contrariando o São Paulo Restaurant Week fui almoçar em uma tradição paulistana. Nada de restaurantes hypadinhos com um pé direito de dezessete metros assinado por algum arquiteto que aparece na tv, aonde os garçons batucam o seu pedido em um palm e voltam a mesa com alguma coisa que supostamente deveria ser comida, mas não passa de gelatina, espuma e toda aquela baboseira tecnoemocional.

Hoje era dia de sol, chapéu panamá e ir dar uma volta no centro velho de São Paulo.

Sem pestanejar me pus pronto, saí de casa e comecei a descer a Augusta.

Descendo!

 

Desci até o final sem pressa nenhuma. Passei o viaduto nove de julho…

Pela 9 de Julho...

 

E depois pela praça Ramos de Azevedo…

Pela Praça Ramos de Azevedo...

 

Continuei reto, até aparecer lá no começo da Av. São João…

Pela Av. São João...

 

Pra finalmente chegar até o Guanabara.

Pra chegar aqui!

 

O Guanabara é um daqueles lugares que eu amo. Parece que o tempo parou e você pode viver a verdadeira essência do restaurante, o que ele é e realmente representa. Um serviço honesto e atencioso, uma comida que lembra a da sua mãe em um ambiente simples que ressalta os prazeres de se comer bem. E só.

Tradição

 

É um daqueles lugares que você acha que não existem mais, com coisas que realmente não existem mais. Quem é que já viu por aí um armarinho de butiquim, recheado com empadinhas, coxinhas e croquetes?

Armário de quitutes

 

Comecei os trabalhos pedindo um chopp que desceu como o paraíso, acompanhado de uma coxa creme. Muita gente por aí deve torcer o nariz, mas por aqui ela é famosa e rainha absoluta.

Covardia...

 

Dei uma olhada no cardápio, mas não estava com vontade de comer um prato, ainda mais com o calor que estava fazendo no centro hoje. Preferi atacar um tradicional Bauru, daqueles com o rosbife bem molhadinho.

Baurú!

 

A sobremesa não podia ser mais tradicional, um pudim de leite que derretia na boca e revelava milhares de bolhinhas de ar. Um despautério de gostoso.

Pudim de Leite

E foi isso. Restava agora era coragem de levantar e fazer todo o caminho de volta.

Fim da festa

 

Pelo menos ainda tinh o sol.

Bar e Restaurante Ao Guanabara

Av. São João 128 (pertinho do prédio do Banespa) – Centro                                   Fone: 3228-0958

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São Paulo Restaurant Week

Agosto,31 , 2009 · 1 Comentário

Hoje começa o meu evento favorito na cidade. Melhor que show do Aphex Twin, dançar até cair ou cafuné é o São Paulo Restaurant Week.

Vou confessar que nunca fui a nenhuma edição do evento, já que antes estava com a barriga encostada no fogão, tentando domar o fluxo bizarro de comandas que chegavam até a cozinha. Estando agora tudo mais tranquilo, vou aproveitar para conhecer até que ponto a criatividade pode ir por um menu de três pratos a R$ 27,50 no almoço e R$ 39,00 no jantar. E não precisa correr! A “week” começa agora na segunda, dia 31 de Agosto e vai até o dia 13 de Setembro.

Também é uma ótima oportunidade de ajudar a Fundação Ação Criança, que desde 1996 combate no Brasil a desnutrição em crianças carentes com idade entre 0 e 7 anos, período onde ocorrem as principais formações físicas, psicológicas e motoras de cada indivíduo. Do preço total cobrado pela refeição , cerca de R$ 1,00 é destinado a Fundação Ação Criança, que já arrecadou ao total mais de R$ 120.000,00 desde 2007, ano em que o Restaurant Week chegou por aqui.

Entre os mais de duzentos restaurantes que vão participar do evento, procurei escolher aqueles que dão mais atenção aos ingredientes brasileiros. Eles estavam bem escondidos esse ano, já que a maioria dos restaurantes irá servir pratos de origem francesa por causa do ano na França no Brasil.

Os lugares que vão receber a visita do moço de braço listrado são:

 

Ají Restaurante – Almoço e Jantar
Rua Bela Cintra, 1709 – Jardins – São Paulo
Telefone: (11) 3083-4022

Deixando de lado suas influências andinas, Checho Gonzáles prepara uma interessante Brandade de Galinhada com Quiabo e Couve Frita que vale a pena prestar atenção.

 

Brasil a Gosto – Almoço
Rua Professor Azevedo Amaral,70 – Jardim Paulistano – São Paulo
Telefone: (11) 3086-3565

O que me chamou a atenção nesse menu foi uma entrada de Salada de folhas verdes, molho de coalhada e mini biscoito de polvilho. Nunca pensei encontrar em uma salada um quitute que comia na praia. Grande sacada de Ana Luiza Trajano                                       

                                                                                                  

Emprestado – Almoço e Jantar                                                                                                  Rua Mourato Coelho,992 – Vila Madalena – São Paulo
Telefone: (11) 3034-0214

O que adoro nesse restaurante é a idéia de pegar pratos famosos de diversos restaurantes de todo o Brasil e juntar tudo. Só assim mesmo para poder provar o Picadinho de Tambaqui, servido com arroz de Jambú, banana frita e farofa, do Lá em Casa, de Belém do Pará.  

 

Mocotó – Almoço
Av. Ns Senhora do Loreto, 1100 – Vila Medeiros – São Paulo
Telefone: (11) 2951-3056

A idéia do Restaurant Week não fica muito bem no Mocotó. Não pelo fato do restaurante ser ruim, longe disso! É que os preços já são tão baratos que o menu promocional não faz muito efeito. De qualquer forma, ótima oportunidade para provar o Cabrito ao Molho do São Francisco com Cuscuz e Legumes Caipiras ou a saladinha de Feijão-verde com Queijo-de-Coalho e Castanha de Caju.

E da-lhe chazinho na digestão!

São Paulo Restaurant Week

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Diletto, Gelato Italiano

Agosto,8 , 2009 · 2 Comentários

Hoje fui dar uma volta pelo mercadão, já que precisava comprar algumas castanhas e frutas secas para o couz-couz que vou fazer no dia dos pais, além daquela paleta de cordeiro assada bem devagar, como eu sei que meu velho gosta.

Adoro passear por lá. Muitas coisas gostosas para provar nas barracas, um bom humor que acho difícil encontrar por aí, além de rever amigos/fornecedores e fazer aquelas brincadeiras hilárias ou mesmo colocar a conversa em dia, o que é difícil, quando tenho que esquentar a barriga no fogão.

E por falar em esquentar…O que é esse calor que está fazendo? Vindo de lugar nenhum, um pico do mais verdadeiro verão carioca invadiu a cidade e – pelo menos pra mim – deixou as pessoas mais alegres e falantes, deu uma oportunidade de andar de chapéu Panamá, além de abrir o leque das comidinhas frias que posso experimentar. E foi lá mesmo no mercadão que me deparei com uma delas. Na verdade quando eu vi não pude muito acreditar, fiquei parado ali, embasbacado e com cara de criança.

Em uma esquininha simples do mercadão, achei uma geladeira de picolés Diletto.

Surpresa!

Pensei que eles só eram vendidos na Itália, aonde eu tomava um por dia religiosamente, na cidade de Gênova. No começo fiquei um pouco ressabiado, não sabia se era só a marca italiana com uma produção nacional, o que mudaria completamente o sabor, já que o nosso sorvete é muito doce e bem mais pesado, se comparado com o italiano, que ressalta mais o sabor do ingrediente principal do sorvete.

Pedi primeiro um de gianduia para tirar a dúvida de cara. Para minha felicidade por um instante, eu estava de novo na Itália. O sorvete é de uma leveza e delicadeza absurda, sabores suaves, nada carregado demais, nem no açúcar, que era a minha principal preocupação.

Gianduia!

Não dava para tomar só um, e na sequência ataquei um de framboesa, que estava um escândalo de gostoso. Mais uma vez o açúcar se fazia secundário e o sabor da fruta explodia.

Atacando o de framboesa

A história toda dos picolés começou com o Sr. Vittorio Meneghini Scabin em 1922 no vilarejo de Sappada, na região do Vêneto na Itália. Na época da guerra o negócio foi forçado a vir para terras brasileiras e hoje, são os netos que mantêm firme a tradição e a qualidade dos picolés. Além dos sabores que provei, existem ainda: morango, abacaxi, papaia e manga, limão siciliano, chocolate italiano, pistache, cappuccino, tiramissu, coco malásia e menta e chocolate.

Mais sabores...

Um outro lugar para se encontrar os picolés é no Empório Santa Maria, que fica ali Av. Cidade Jardim, 790 no jardim paulistano, se bem que tomar o picolé no mercadão tem outro gosto.

Eu prefiro por lá…

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Biodinâmico não é só vinho não…

Julho,31 , 2009 · Deixe um comentário

Ontem quando vi a notícia de que os alimentos orgânicos não contem nutrientes a mais e assim não fazem nem mais, nem menos bem para a nossa saúde, fiquei um pouco chateado com a forma de como a notícia estava sendo mostrada.Parecia que todos nós tínhamos sido enganados a vida inteira por uma falsa promessa de uma vida mais equilibrada e saudável.

O que muita gente se esquece é que estamos ajudando em primeiro lugar o planeta, não despejando na sua terra e água venenos dos mais diferentes tipos e agrotóxicos escabrosos. Não estamos forçando a natureza a fazer algo de forma acelerada, mal-acabada, estamos respeitando o tempo correto de crescimento e maturação dos vegetais. Estamos consumindo conscientemente, gerando uma renda adequada a todos aqueles que participam no ciclo

Combinando alguns aspectos da agricultura orgânica , a agricultura biodinâmica sugere uma interação entre a terra, o homem e o espaço. Todas as características do cultivo orgânico estão lá: A utilização de uma elevada diversidade biológica que minimiza o desenvolvimento de pragas e doenças, o uso de um sistema de rotação de culturas – ou seja, não se planta sempre a mesma coisa – além de uma fertilização orgânica. O uso de agrotóxicos ou qualquer substância química ou sintética é repudiado.

O que diferencia a cultura biodinâmica é que além das ações físicas, são tomadas ações de procuram equilibrar a terra e os elementos do universo. São utilizados preparados biodinâmicos que podem conter quartzos moídos, além de flores e ervas para tratar do solo e das plantas de uma forma geral. Um composto animal é usado como fertilizante e o um calendário astrológico para escolher os momentos ideais para realizar as atividades agrícolas. Todo o espaço de tempo entre o tratamento da terra, o plantio e a colheita e rigorosamente respeitado, promovendo assim através dos alimentos, uma união e integração íntima com a natureza.

Mesmo morando aqui em São Paulo você consegue achar produtos biodinâmicos com tranqüilidade. Já é famosinha a feira que acontece todas as quintas-feiras das seis e meia da manhã até a uma da tarde, na rua São Benedito no Alto da Boa Vista. A rua é meio escondidinha, fica ali ao lado de um convento, entre as ruas Alexandre Dumas e Américo Brasiliense. Muito produtores locais, guloseimas de sítio, além daquela experiência bacana de poder falar com quem planta, conversar sobre ingredientes e trocar receitas.

 Pra ser sincero eu nunca preparei nada só com alimentos biodinâmicos, só mesmo com orgânicos, mas vale e muito, uma tentativa.

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Pão de Queijo Haddock Lobo

Julho,14 , 2009 · Deixe um comentário

Quando saí para dar uma volta ontem à tarde, não queria ir a lugar nenhum. Só o que queria mesmo era andar, sair por aí sem rumo e ver a rua cheia de gente apressada com o fim do expediente. Saí pra ouvir música, aproveitar o finalzinho de tarde com o sol amarelo inundado o asfalto e sentir a cidade.

Subi a Augusta, dobrei na Paulista e fui reto sentido consolação. Atravessei a avenida e entrei na Haddock Lobo. Fui descendo a rua feliz, uma sensação boa daquelas que faz você sorrir sem motivo ou dar risada sozinho.

Até que então vi um bolo de gente se empurrando dentro de um espaço que lembrava mais uma garagem – e que provavelmente algum dia foi – afoitos sobre um balcão simples, mas recheado de quitutes que faziam jus a tia Nastácia.

Empadas, coxinhas, bolinhos…Tudo muito bem arrumado e bonito, o que só fazia aumentar a vontade de experimentar. Mesmo assim, a maioria dos pedidos eram de pão de queijo. Tinha gente que chegava e pedia um e comia por ali mesmo, outros que pedia de dúzia e levavam o pacote quentinho. “Reunião no escritório” – explicava ao senhor por trás do balcão, que tinha um sorriso sincero.

 Não teve como não experimentar um e descobrir porque o Pão de Queijo Haddock Lobo faz a alegria dos moradores ou de quem passa pela rua dos Jardins. A cerca de 40 anos o baiano Sebastião Marques Cazumbá, ou Tião como é conhecido, vem fazendo a receita que já tem como fãs o restaurateur Rogério Fasano e o governador José Serra.

Pão de Queijo - Haddock Lobo

De casquinha crocante e de massa leve e extremamente macia o quitute mineiro faz a alegria de quem passa, entra e pede.

Pão de Queijo!

Além do pão de queijo e dos salgados, é famosa também a torta de limão, de massa leve, recheio espesso e delicada cobertura de claras em neve.

 E segui descendo a rua…

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Maple Syrup em Higienópolis

Julho,4 , 2009 · 2 Comentários

Um achado na cidade.

Vindo do centro onde moro em direção a Higienópolis, me deparei com uma surpresa daquelas de abrir a boca, de ficar embasbacado. Não sei se alguém reparou ou mesmo sabe, mas ficou em silêncio cultivando o mesmo tipo de entusiasmo que eu.

Na esquina da Av. Angélica com a Rua Goiás, tem uma não, mas várias árvores de Bordo.

Achado!

O bordo, símbolo da bandeira do Canadá – onde ficam a maioria deles – é uma árvore do gênero Acer, sendo os gêneros Acer nigrum e Acer saccharum os mais utilizados para se extrair a seiva elaborada da planta. O curioso é que a seiva é um tanto líquida, sendo necessários dezenas de litros de seiva para a fabricação de poucos litros de xarope.

O Canadá além de possuir a maioria dos Bordos do mundo leva o uso do xarope para além do preparo de sobremesas, sendo servido junto com carnes de caça, porco ou mesmo Alce, comum por lá.

Maple!

Panquecas e sofá now!

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Bar do Biu

Junho,20 , 2009 · Deixe um comentário

Domingo, dia de folga.

Se você como eu não sabe muitas vezes como fez pra chegar em casa ou quem te levou até ela, talvez exista uma salvação a você caro leitor. Nada de suquinhos, água de coco ou mesmo Blood Mary como mesmo já sugeri por aqui. O que vai segurar as pontas na ressaca e deixar você pronto pra outra é o baião de dois. Caso você não saiba o que é tal maravilha da culinária ultra old-school nordestina, se trata de arroz e feijão verde, misturados com carne de sol desfiada, bacon, lingüiça, cubos de queijo de qualho, cebola, alho, coentro…Enfim, tudo que vai lhe colocar em ordem de novo e deixar tinindo pra outra.

Junto do meu velho (o qual já foi citado inúmeras vezes por aqui) rumei ao único lugar que poderia me salvar, o já famoso Bar do Biu na Cardeal Arcoverde. Chegando por lá o movimento é grande e não se assuste se você tiver que esperar um certo tempo pra conseguir uma mesa. Tome uma caipirinha enquanto espera e observe com atenção os detalhes do lugar, que tem a sua beleza e jeito de casa de avó pela sua simplicidade e cheiros que se espalham por todo o lugar.

Mas pare de reparar, enfim você foi chamado pra sentar! Então não perca mais tempo é peça logo o baião de dois. O cardápio tem ótimas outras opções como sarapatel, caruru e os mais tradicionais quitutes nortenhos, mas não dê bola a eles, o que lhe interessa aqui é o baião.

E quando ele chega você entende porque. Vêm quentinho, junto com carne-de-sol bem macia, abóbora e batata-doce cozida, além de pimenta. Porções extras das coisas mais divinas podem ser pedidas, mas acredite, nenhuma delas é necessária, só mesmo o baião salva.

Bar do Biu

Rua Cardeal Arcoverde, 776 (ao lado da praça Benedito Calixto)

Pinheiros – Zona Oeste.

Telefone: 3081-6739.

Aceita os cartões Diners, MasterCard, Visa. Aceita também os tíquetes Bônus, Cheque Cardápio, Plan Vale Refeição, Smart VR, Sodexho Pass, Ticket Restaurante, Ticket Restaurante Eletrônico, Vale-Refeição e Visa Vale.

Baião de Dois

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