Chef-à-Porter

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Sorvete e Paçoca

Outubro,23 , 2009 · 4 Comentários

Essa foi outra estripulia que aprontei…

No dia seguinte a vaca preta, o sorvete de creme continuou a aparecendo na hora da sobremesa e eu continuei torcendo o nariz pra ele. Impossível comer aquilo como continuação de umas das mais incríveis refeições que já tive, um bollito a moda antiga feito pelo meu pai, que disse ter ficado igualzinho ao que minha bisavó Corina fazia.

Comecei a pensar como transformar pela segunda vez o tal gelado sem ter que me agredir com aquele gosto de coisa industrializada, feita por gente em máscaras de médico e luvas de borracha. O drama pode parecer forte, eu sei, mas é assim que eu vejo a coisa mesmo. A solução parecia clara como o mais profundo azul do seu em um verão inglês: misturar alguma coisa pra criar uma nova sobremesa. Refrigerante não valia mais – não gosto de coisa repetida, parece falta de criatividade, como gente que vive sempre do mesmo jeito  – o que me fez lembrar daquela paçoca que sempre compro e guardo no bolso, um costume antigo que tenho pra estratégicamente matar uma vontade imperativa de doce que surge de vez em quando.

Procurei por tudo quanto foi canto até que achei a dita dentro do bolso de uma camisa xadrez de flanela, usada mais cedo pra ir tomar café na padoca quando comprei a guloseima de amendoim.

O processo de criação foi rápido e muito parecido com o da vaca preta: copo bacanudo cheio de sorvete, esfarela paçoca, joga no sorvete, mistura, mistura, mistura, tá pronto. Simples, fácil e um alívio instantâneo para aquela coisa que vive dentro de você e que grita por comida boa.

Não dá pra ficar sem

Não dá pra ficar sem

A criação que se deu na mesma toalha com estampas de girassol da Vaca Preta e foi sucesso instantâneo. Rendeu a todos uma colherada e muitos suspiros.

Final feliz pro bollito.

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Vaca Preta

Outubro,19 , 2009 · 1 Comentário

No final de mais um almoço de domingo na casa do meu pai, me apareceu um pote de sorvete de creme. Não gosto muito de sorvete assim, feito em “massa” – desculpem, mas não pude perder o trocadilho – pois são todos muito doces e pesados, além de levar uma quantidade de conservantes que não é nem bom  pensar a respeito. Não vou dizer que não como, mas passo longe de comprar um.

Todos se serviram, comeram e já estavam acabando quando um lampejo de infância me veio e não pude não me deixar levar por ele: Vaca preta.

Nem precisei levantar da mesa pra preparar. Peguei um copo daqueles bacanudos, completei de sorvete e mandei o refrigerante por cima. O que gosto é que na hora se forma uma espécie de espuma congelada, quase como uma raspadinha, que fica cheia de gás. O sorvete não derrete na hora já que o refrigerante é gelado, e o que se forma é um creme escuro que você não consegue parar de comer.

Vaca Preta!

Vaca Preta!

E você não pensa em mais nada e fecha os olhos. E se lembra de como tudo era ridiculamente simples, que você corria pela rua e raspava metade do dedão no asfalto. Que tocava a campainha e saia correndo ou que tinha vergonha quando uma menina ficava olhando pra você, mas mesmo assim gostava daquilo. Lembra do colo da mãe, da avó, de panela em cima do fogão, mesa e gente, sempre muita gente. Cheiros, música, conversas, tudo esta lá, enquanto o gosto da memória lhe atinge em cheio.

Acabou o que era doce

Acabou o que era doce

 No final sobre só saudade.

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Udon na frente do ventilador

Outubro,7 , 2009 · 1 Comentário

Ontem naquele calorão me deu vontade de comer uma coisa asiática, daquelas bem apimentadas, de tirar a camisa e enxugar o suor com a testa. 

Fui até a cozinha e comecei a caçar na geladeira e na dispensa o que poderia ir pra panela. Achei alguns vegetais na gaveta e um pacote de amendoins que estava lá no fundo da prateleira.  A pimenta também estava lá, saldo de um chilli que fiz outro dia, mas nada de macarrão.

Me pus então ao encontro da invenção chinesa que faz a alegria de quase todos os seres humanos – nunca conheci ninguém que não gostasse de macarrão – e para o meu espanto, no supermercado tinha Udon!

Udon

Udon

 

Pra quem não conhece, o Udon é aquele macarrão tradicional para cozinha japonesa. Não tem nada demais na verdade, ele também é feito de trigo, mas é muito leve e saboroso.

Feliz com o achado e com mais fome ainda, me pus pronto a cozinhar.

 

Udon, Ásia e legumes crocantes

Ingredientes:

3 cebolas roxas grandes

2 abobrinhas médias – só a parte da casca em julienne, mas por favor, guarde a polpa pra usar em outra coisa.

1 cenoura cortada em julienne

1 punhado de ervilhas tortas

1 pedaço pequeno de gengibre

200 gr de macarrão Udon

1 pacote de amendoins torrados sem sal

Azeite de oliva extra-virgem a gosto

Cardamomo em pó a gosto

Sal a gosto

Pimenta chilli a gosto

 

Modo de Preparo:

Comece cozinhando a massa, o que não tem nenhum segredo: Água fervente em abundância, sal e óleo na água, massa na água mexendo de vez em quando. Quando ela estiver quase no ponto, escorra e dê nela um banho de água fria. Nada de muito complicado, só mesmo aquele choque que vai garantir que a massa não continue cozinhando. Depois do processo, reserve.    

Não deixa passar!

Não deixa passar!

 

Corte as cebolas em fatias finas. Não se preocupe muito em manter um padrão perfeito de corte, tamanho forma e todas essas coisas, não é importante. 

Não precisa ser certinho!

Não precisa ser certinho!

 

Em seguida aqueça uma panela grande com azeite de oliva e junte a ele as cebolas. Some então o açúcar as cebolas e mexa para que cada fatia da cebola seja envolvida por ele, abaixando então o fogo até o mínimo possível.  Daí meu caro é hora se sentar e ter paciência, pois pra ficar bom, mas bom mesmo, as cebolas precisam caramelizar por igual, o que demora um certo tempo. Bom momento pra você retomar aquele livro ou concertar alguma coisa pela casa, mas não deixe de dar uma olhada de vez em quando e mexer as cebolas, garantindo que todas se caramelizem por igual. Como sempre digo por aqui, o exercício da observação é e sempre será altamente recomendado.

Caramelando cebolas

Caramelando cebolas

Quando todas as cebolas estiverem murchas, douradinhas e parecendo uma massa única, junte a cenoura e cozinhe até que fique crocante, mas não completamente cozidas. A seguir junte as abobrinhas – que cozinham muito mais rápido – e siga o mesmo mantra: crocantes, mas não cozidas.

Abobrinha na panela

Abobrinha na panela

A seguir rale o gengibre direto na panela, mas não precisa se preocupar com os fiapos, que vão ficar todos presos no ralador.

Ginger!

Ginger!

 

Mexa para que todos os ingredientes se combinem e tempere com  o cardamomo, a pimenta chilli e sal a gosto.  Acrescente então os amendoins e reserve aquecido.

Em uma panela a parte aqueça uma fina camada de azeite e nela cozinhe rapidamente as ervilhas tortas. Cuidado! Pois essas ervilhas são muito delicadas e cozinham muito, muito rápido. Quando ficarem crocantes, retire da panela e junte com os outros vegetais.

É rapidinho, se não passa!

É rapidinho, se não passa!

Agora sabe o azeite que ficou no fundo da panela junto com a “sujeirinha” da ervilha torta? Aproveite que ele está cheio de sabor e bem quente e de um susto na massa, dando aquele brilho bacana e um sabor a mais.

Aproveitando a "sujeira"

Aproveitando a "sujeira"

 

Junte a massa aos vegetais e incorpore tudo com cuidado para não quebrar os fios.

Acompanha bem uma cerveja gelada, mas uma dica: Manere na pimenta, ou você vai passar comendo na frente do ventilador.

Só alegria...

Só alegria...

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Te Amo Vó

Setembro,14 , 2009 · 1 Comentário

Hoje apareci na casa da minha avó portuguesa de surpresa.

Era aquela mesma famosa por me curar com carinhos, gemas e açúcar, mas o uso das suas habilidades lusitanas não eram necessárias na hora, já que meu caso de coração quebrado e arrependido até os ossos não foi curado por açúcar ou qualquer outra gulodice, mas sim, o tempo.

Mas deixemos isso de lado e vamos aos fatos. Nada de receitas por aqui hoje, mas sim a descoberta de toda a magia que correm nos dedos da Sra. Esmeraldina da Conceição: Seus livros de cozinha.

A descoberta dos artefatos só foi possível devido a uma reforma na cozinha que estava acontecendo por lá. Fiquei um pouco chateado na verdade quando vi meu cômodo favorito da casa, onde passei a maior parte da minha infância rodeada por bolinhos de bacalhau e pratos de mingau, desfigurado, sem os tradicionais armários beges que garantiam aquele ar tradicional de casa de vó. Deu uma tristeza por dentro.

Enquanto almoçava e escutava minha avó contar animada como ficaria a cozinha – alguma daquelas bizarrices pré-projetadas e assinadas por arquitetos famosos em dar pés direitos de sete metros a restaurantes nos jardins – vi em um canto os livros e cadernos empilhados, velhinhos, amarelados pelo tempo, mas cheios de memórias e segredos.

Fiquei sabendo que o primeiro deles foi quando aos treze anos, no ano de 1949, minha avó freqüentou no SESI da cidade de Santos um curso de “habilidades do lar”, área mais do que importante quando se queria conseguir um marido.

O tempo passou, minha avó se casou, teve filhos, netos e agora já faz o mesmo míngua que fazia para mim para o seu primeiro bisneto, que chegou faz pouco tempo mas já corre grudado na barra da saia.

Desde lá muitas gulodices passaram pela mesa dos Rodrigues em festas de finais de ano, páscoas, dia das mães, pais, aniversários e tantas outras comemorações alegres ou tristes. Reinaram na mesa, sempre regidos pelas mãos da matriarca e que hoje, são auxiliadas pelas minhas.

Mesmo eu com 24 e ela com 74, só tenho a agradecer, mais do que tudo.

Foi daqui que começou...

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Crumble com Garoa e Saudades

Setembro,7 , 2009 · 2 Comentários

Véspera de feriado em São Paulo.

Cinema, museu, andar pela Augusta e amigos são sempre coisas ótimas, mas chegando o domingo à noite e com a chuva fininha caindo lá fora, um sentimento de preguiça com tristeza e saudades começa a me tomar. Preguiça por um tempo que nós paulistanos já conhecemos bem e que já deveríamos até estar acostumados, mas que de um jeito ou de outro me manda de volta no passado, onde a garantia de olhares sinceros e beijos mornos parecia sem fim. Por um momento um sentimento de estorvo me tomou e fez com que eu soltasse as mãos, que antes andavam balançando pela rua. O que sobrou foi me sentir perdido, como um cego que anda devagar, com os braços esticados, tateando no escuro.

Daí a tristeza e as saudades.   

Lembrei então da minha avó, uma senhora portuguesa que sempre me embalou nos braços e garantiu que a solução para a maioria das tristezas pode ser curada com gemas, açúcar e algum carinho. Mesmo sem a garantia de carinhos, me pus pronto a fazer uma sobremesa. Nada muito difícil ou demorado, já que precisava acalmar rápido o estômago com algo doce contra o fel que me tomava, e o espírito, revolto como o mar.

Decidi por um Crumble, que apesar de origem inglesa e oposta aos doces de convento, cumpria bem a idéia.

 

Crumble de Maça

 

 Ingredientes:

 - 4 maças verdes grandes

 - 150 gr de manteiga sem sal gelada

 -  100 gr de farinha de trigo

 - 100 gr de amêndoas

 - 50 gr de açúcar

 - Cravo-da-índia em pó a gosto

 - Canela em pó a gosto

 

Modo de Preparo:

Comece picado grosseiramente as maças. Os pedaços realmente não precisam ficar iguais, só mesmo do mesmo tamanho. Se você quiser  pode tirar a casca, mas eu prefiro deixar, tanto por ficar mais fácil, quanto mais nutritivo.

Não precisa ser certinho...

 

Em uma panela grande derreta em fogo brando cerca de 50 gramas de manteiga, juntando a maça em seguida. Acrescente então o açúcar, o cravo-da-índia e a canela em pó e mexa para misturar tudo. Daí por diante a coisa toda toma forma por si própria, só mexa de vez em quando para cozinhar tudo por igual e garantir que nada grude no fundo da panela. Quando as maças estiverem macias, mas não desmanchando, retire do fogo e reserve.

Na panela com cravo, canela e açúcar

 

Em uma tigela junte o restante da manteiga com a farinha de trigo e as amêndoas picadas grosseiramente, até o ponto em que tudo vire uma grande “farofa”. Essa vai ser a cobertura do Crumble.

Farofa de manteiga, farinha e amêndoas

 

Coloque as maças em uma forma e cubra com a “farofa”, levando ao forno bem quente até que a cobertura fique dourada e crocante. Mais uma vez, como sempre digo por aqui, o exercício da observação é necessário. Faça o seguinte: coloque o seu forno no médio e dê uma olhada a cada dez minutos. Não tem o que errar, uma hora ele chega lá.

Saindo do forno!

 

Um crumble fica bom com muitas coisas: creme inglês, sorvete de creme ou uma boa companhia, sendo que nesse caso é perigoso e nada sexy jogar crumble quente sobre quem você gosta.

Faça o seguinte: Seja sempre sincero, dance, cante, dê risada, compre peixes e gatos, mude, durma até tarde, cozinhe, e ande de mãos dadas, nunca deixando espaço vazio entre os dedos.

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Jantar, Amigos e Guitar Hero

Setembro,2 , 2009 · Deixe um comentário

Uma terça-feira a noite com calor em São Paulo pede um jantar honesto com amigos.

O dia é mais que perfeito, já que aquela rebordose de segunda já passou e a semana caminha para a sua metade. O calor é a faísca que não deixa você ficar em casa, parecendo que está com uma coceira para ver a rua e conhecidos queridos. A cidade é o palco e o que se segue é uma comida honesta, forjada entre muitas piadas, risadas, ventos mornos e cozinha a quatro mãos.

Aconteceu tudo na casa da Leonora, velha amiga que gosta como eu de comer bem qualquer coisa, desde que feita com honestidade e atenção. Outras semelhanças como David Lynch, preguiça e devaneios também são visíveis, mas serão desconsideradas aqui.

Vendo o que já se tinha na geladeira e pensando em algo leve e não muito trabalhoso para fazer – olha a preguiça aí – decidimos por uma salada de endívias com manjericão limão e semente de mostarda que ficou incrível.

 

Salada de Endívias,  Peito de Peru e Manjericão Limão

Ingredientes:

 - 4 endívias médias

 - 1 maço de baby rúcula

 - 350 gr de peito de peru defumado

 - 1 caixa de tomates cerejas bem maduros

 - 30 ml de vinagre balsâmico

 - 60 ml de azeite-de-oliva extra virgem

 - 30 ml de mel

 - Sal a gosto

 - Semente de mostarda a gosto

 - Manjericão limão a gosto

 

Modo de Preparo:

Lave muito bem a rúcula, as endívias e reserve. Em um recipiente grande faça uma primeira camada com as folhas de rúcula. Não precisa arrumar com muita ordem ou atenção, apena forme uma cama sem deixar espaços. Rúcula, Leonora e Endívias

 

Em seguida comece a despetalar as endívias, mas não vale rasgar nem quebrar as folhas. Faça mais uma camada com as folhas, seguindo a mesma idéia da rúcula: nada de espaços vazios.

Primeiro as indívias...

 

Corte os tomates em pedaços pequenos, do tamanho de um bocado e os espalhe sobre as endívias.

Depois os tomates...

 

Rasgue com as mãos as folhas de manjericão limão e as espalhe sobre as endívias. Uma dica que aprendi a pouco tempo é que rasgar ou macerar as folhas e não as partir usando uma faca ou mesmo uma tesoura, são as únicas formas de extrair todas as suas características, além do perfume extraordinário  e peculiar no caso do manjericão limão.

O manjericão...

 

Por último rasgue as fatias de peito de peru e mande por cima das endívias. De novo, nada de ficar ajeitando ou arrumando, como ficar, ficou.

E por último o peito de perú

 

Faça um vinagrete seguindo a proporção clássica francesa, que caso você não saiba é de uma parte de um elemento ácido para duas de gordura, com o vinagre e o azeite. Bata os dois rapidamente com a ajuda de um fuet para garantir que se emulsionem, juntando em seguida o mel. Bata novamente e reserve. Macere em um pilão as sementes de mostarda até que estejam todas quebradas e as junte ao vinagrete. Tempere com sal a gosto e reserve.

Vinagrete de mel e semente de mostarda

Sirva a salada com cuidado para não desmontar as camadas feitas no recipiente. Tempere com o vinagrete, mas fica aqui a dica: o bacana mesmo é transformar as folhas de endívia em pequenos “lagos” de molho e comer cada uma com todos os ingredientes da salada dentro.

 No prato

 

O resto e papo, cervejinhas e calor.

Amigos em casa

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A Gastrite Nossa de Cada Dia

Agosto,13 , 2009 · 1 Comentário

Deve ser horrível ter gastrite. Eu sou bem tranqüilo nesse ponto, posso comer de tudo a qualquer hora que raramente passo mal. Diferente do avestruz que vos escreve, minha amiga Andrea Beulke sofre constantemente com a tal doença, mas com o tempo aprendeu alguns truques e claro, receitas para não morrer de fome enquanto seu estomago tenta se recuperar.

 Mas deixemos de papo, com a palavra, a enferma.

 Vai que é sua Andrea.

 

Para você que esta morta de dores de estômago como eu, segue uma receitinha buena para ficar com a barriga forrada.

 

Frango Salve-Salve

 

Ingredientes:

 - 1 cenoura crua ralada

 - 1 beterraba crua ralada

 - ¼ de um brócolis

 - ¼ de uma couve-flor

 - ¼ de uma abóbora em cubos

 - 10 ervilhas tortas

  - 2 Filés de frango

 

Modo de preparo:

Cozinhe no vapor a couve-flor, o brócolis, a abóbora e a ervilha torta, até que fiquem macios. Reserve.

Coloque em uma panela os filés de frango já temperados com sal à gosto e cubra com água. Leve a panela ao fogo até que a água ferva e os filés de frango estejam cozidos e macios, o que deve levar cerca de dez minutos. Retire então os filés do fogo e com a ajuda de um garfo, os desfie finamente.

Organize os vegetais e o frango em um prato de uma maneira que lhe incentive a comer, contrariando as dores pungentes da sua gastrite. Decore com azeite a gosto, mas nada de pimenta-do-reino moída, ou você vai se retorcer de dor depois de algum tempo.                

Super fácil e saudável. Caso tenha sobrado algum dos ingredientes, guarde na geladeira em um pote bem tampado. Com a mesma base você faz uma canja em cinco minutos do final do dia.

 Mas isso eu deixo para outra gastrite…

Prato livre da gastrite

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Miojo de família

Agosto,3 , 2009 · Deixe um comentário

Hoje na hora do almoço aconteceu uma sessão nostalgia, daquelas que fazem você ficar olhando uma panela de água ferver e ficar pensando em como algumas coisas, mesmo que simples ou até um poucos toscas, marcam você pra sempre.

Lembro que fazia frio, muito frio. Eu tinha por volta de uns cinco ou seis anos e meu pai corria freneticamente pela casa, caçando cobertas, cobertores ou qualquer outra coisa que fizesse com que, aquele que vos escreve, parasse de reclamar. Com o problema “frio” resolvido, veio outro que também o assolava: A fome.

A solução foi apelar pro miojo velho de guerra, que combinado com glutonice, desespero e alguma criatividade, fez surgir à glória do miojo com requeijão.

Pra você que está acostumado com o fino da bossa, a comer só mesmo trufas e ir a restaurantes hypadinhos e tudo mais, fica aqui uma dica: não faça, você não vai gostar. O que rola com essa receita é o mais confort&junk possível, daqueles de se esparramar no sofá com uma bowl fumegante e uma meia de cada cor.

 

Miojo com Requeijão

 

Ingredientes:

 - 1 Miojo do sabor que preferir

 - 1 pote de requeijão

 

Modo de Preparo:

Não teria como ser mais fácil. Prepare o miojo daquela forma tradicional que você já está acostumado. Caso essa sua primeira incursão ao mundo trashfood, calma! Siga as instruções que vem no verso do miojo. Sim, é incrível, mas tem um jeito certo de fazer!

Cozinhando o miojo

 

Quando o miojo estiver no ponto (outra coisa que muita gente não sabe…gente, miojo tem ponto!), escorra-o da água mas mantenha – olha que esse detalhe é importante – uma fina camada de água no fundo da panela. Volte então à panela no fogo junto à massa, o temperinho que vem dentro do miojo e o requeijão. A quantidade de requeijão é algo que vou deixar você escolher. A minha opção eu descreveria como “possível infarto antes dos trinta”, mas se você quiser pode maneirar.  

Juntando tudo

 

Em seguida misture tudo com a ajuda dos hashis, leve a um bowl e sem demora mande pra dentro, aproveitando aquele caldinho quente e cremoso.

Aproveita enquanto tá quente!

 

Só por favor, não tente, repito, NÃO TENTE comer como aqueles japoneses que você vê comendo lamen durante a feira da Liberdade de domingo. Eu nunca consegui reproduzir o tal método sem queimar a boca e arredores.

Esse é até um bom ponto de discussão: Como comer como um japonês sem se queimar, não sendo um japonês?

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Alho&Óleo

Julho,28 , 2009 · Deixe um comentário

Esse é pra salvar daquela fome block-buster.

Faço Alho&Óleo desde que me conheço por gente e ainda hoje, aos 24 anos recém completados, ainda não me cansei do salafrário.

Os sabores são autênticos e explodem na sua boca, é rápido de preparar e é necessária muita, mas muita atenção na sua execução, pois como todos os ingredientes são os mais básicos e sinceros possíveis, qualquer deslize pode resultar em alho carbonizado, massa mole ou tragicamente, ambos.

Você pode até achar muito simples e na verdade é, mas não troco por nada.

 

Pasta Alho&Óleo

 

 Ingredientes:

 - 1 cabeça de alho

 - 100 ml de óleo

 - 200 gr de massa – você pode usar a que quiser, eu gosto muito de bavette para essa receita.

 - Salsinha a gosto

 - Sal a gosto

 - Pimenta-do-reino moída na hora a gosto

 

Modo de Preparo

Comece descascando todos os dentes de alho da cabeça e os pique grosseiramente. Não pique o alho até que ele vire uma pasta, pois mesmo sendo a sua intenção uma das melhores possíveis, o alho vai queimar muito rápido em contato com o óleo quente e não vai ficar crocante, como manda o figurino.

Tem que ficar pedaçudo

 

Aqueça então uma panela em fogo alto, já com o óleo. Quando ele estiver bem quente junte o alho. O cheiro se espalha por todo canto, encantando até mesmo aquele seu vizinho mal-humorado. Abaixe então o fogo e vá dourando bem devagar , mexendo de vez em quando.

Não deixa queimar!

 

Essa é a parte mais importante, concentração! Se o alho queimar, a melhor coisa é começar de novo, nem adiante tentar salvar. Tudo que você vai conseguir é uma massa  amarga e intragável. Quando o alho estiver douradinho, tire ele da panela e reserve. O óleo deve ficar na panela e aquecido, durante todo o tempo.

 Cozinhe então a massa naquele processo clássico: água fervente em abundância com um pouco de sal e óleo, mexa sempre para garantir um cozimento uniforme e escorra quando ficar al dente. Junte então a massa bem escorrida (cuidado com massa molhada, se não vai espirrar muito!) ao óleo quente e em seguida o alho, o sal, a pimenta-do-reino moída na hora e a salsinha a gosto.

Mexa rapidamente para incorporar todos os ingredientes.

Alho&Óleo...agora é só festa...

 E nada.

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Pain Perdu – Vive la Bastille!

Julho,15 , 2009 · Deixe um comentário

Não teve como não se lembrar dessa tradicional sobremesa francesa, já que ontem, 14 de julho se comemorou por lá a queda da Bastilha. Pensei em preparar alguma coisa pro jantar de ontem pensando na ocasião, mas acabei mesmo foi me rendendo à língua ensopada que minha mãe fez com um bom chianti.

Um parênteses…Você que está lendo aí, pensando com nojo sobre comer língua de boi, por favor, deixe de preconceito e vá experimentar. Cresci comendo isso e lhe garanto que deixa muito filet mignom no chinelo.

Voltando ao pain perdu…

A “pão perdido” francês nada mais é do que a nossa rabanada, só que preparada em qualquer época do ano, e não só no natal. Pode ser acompanhada por frutas assadas, sorvete ou creme inglês, sendo que prefiro a minha junto com o café, como comi hoje.

O ideal é que você prepare com brioche amanhecido, o que não fiz porque sou incapaz de cometer tal pecado. Imagine deixar amanhecer brioche? Só mesmo na frança…

 

Pain Perdu

 

Ingredientes:

 - 1 fatia de pão de forma (pode ser pão francês amanhecido, caso você não queira usar pão de forma, mas o resultado com ele também é ótimo).

 - 2 ovos batidos

 - 100 ml de leite integral

 - Açúcar a gosto

 - Canela a gosto

 - Manteiga a gosto

 

Modo de Preparo:

Coloque em um prato fundo os ovos e em outro prato fundo o leite, misturando nele um pouco de açúcar.

O que você vai usar...

Em seguida molhe a fatia de pão no leite…

No leite...

 

E em seguida no ovo.

...e no ovo.

É importante que você não demore muito entre uma etapa e outra, caso contrário o pão vai ficar muito encharcado e vai começar a se desfazer na sua mão. Se isso acontecer, bau bau…jogue o pão fora e comece o processo novamente.

Em uma frigideira bem quente, coloque a manteiga e espere derreter. Em seguida coloque o pão e aprecie o barulho delicioso dele fritando.                Não fique cutucando o pão, deixe ele quieto, pegando aquele cor bonita. Quando estiver douradinho, vire o pão e doure o outro lado, tomando cuidado, já que a sobremesa é meio temperamental e queima rápido.

Deixe fritar...não cutuque!

Quando os dois lados estiverem douradinhos, salpique com canela e açúcar e mais nada.

 Pain Perdu!

 

Vive La Bastille!

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