Quem pensa que grelha é só lugar de picanha e linguiça, vou contar uma coisa: Dá pra fazer de tudo em cima dela. Já fiz lula, polvo, mariscos e até ostras, que dentro das conchas sem a parte de cima formam uma panelinha natural, onde os nobres bivalves cozinham lentamente no seu próprio suco. Vegetais assados dentro do papel manteiga com um pouco de manteiga, vinho branco e tomilho também ficam fantásticos, com cores bem vivas e um sabor defumado.
Até sobremesa dá pra mandar. Pêssegos, maças e peras ficam divinas salpicadas com um pouco de açúcar de baunilha e colocadas pra tostar na grelha bem quente. Formam aquela casquinha de caramelo, que com creme inglês, são um despautério de tão gostosas.
Mas apesar de tudo isso, vou mostrar algo bem comum: Frango. Se você pensou que a receita era algo como vitela ou algum cordeiro que foi criado à base de Château Petrus, sugiro que você procure outra coisa pra fazer mesmo, afinal, é incapaz de compreender que o galináceo é uma delícia e merece todo o respeito.
Preparei isso quando fiz um churrasco na casa de uns amigos em Santos e a namorada do meu primo não comia carne vermelha nem peixe – veja bem, a pessoa mora na praia e não come peixe, mas deixa esse fato pra lá – e queria comer frango. Claro que eu não ia só comprar o pobre coitado, jogar em cima da grelha e esperar ficar cozido, apesar da pessoa merecer. Tinha que dar um tratamento bacana sem inventar muito, já que também queria aproveitar a festa. Daí me veio à idéia.
Filé de frango com Manjerona Fresca
Ingredientes:
- 6 filés de frango grandes (não compensa fazer 2 ou 3, é um churrasco!)
- 1 maço de manjerona fresca
- 100 gr de manteiga amolecida (a textura exata é como se fosse uma pomada)
- Sal grosso a gosto
- Pimenta do reino moída na hora a gosto
Modo de Preparo:
Não enrole muito ou a cerveja vai acabar, além de perder momentos pitorescos que sempre acontecem em churrascos, como imitações de Derci Gonçalves ou caipirinhas sendo preparadas em potes de mantimentos.
Comece atacando o frango retirando o excesso de gordura, mas não toda, já que junto com a manteiga vão garantir que os filés fiquem úmidos durante o cozimento.
Não fure ou corte os filés ao meio pensando que eles estão muito grossos. Se você fizer isso eles vão ganhar uma cor linda, mas ficarão farinhentos e secos. Agora se você gosta de carne bem passada, lamento, o problema é seu.
Desfolhe a manjerona mais guarde alguns galinhos inteiros sem desfolhar. Misture então as folhas, a manteiga, o sal grosso e a pimenta do reino formando uma pasta.
Besunte todos os filés dos dois lados e os arrume sobre a grelha. Lembra daqueles galinhos que você separou com todo o esmero? Coloque um sobre cada filé. A idéia é que eles chamusquem de leve e passem um sabor de defumado pro frango, algo como Jordi Roca na laje.
Leve a grelha a churrasqueira, que deve estar com uma cama bonita de brasas e relaxe. Enquanto o frango assa você fica livre pra acompanhar o movimento ou aquele papo sobre o pentelho do chefe de alguém. Só fique de olho pra que o fogo não fique muito alto e esturrique a ave, ou o mais importante, que ninguém mexa na grelha sem você saber.
Quando os filés ganharem um tom dourado, uniforme e começarem a formar pequenas casquinhas bem crocantes, está na hora de virar a grelha. É importante que você não deixe o outro lado ficar igual, ou com toda a certeza o frango vai ficar fora do ponto. Asse o outro lado até que a carne fique firme e com uma coloração levemente – eu disse levemente – dourada.
Na hora de servir, não existe muita regra. Combina bem com mostarda escura, mostarda Dijon, suco de limão siciliano ou o meu favorito, mel.
Ainda tem cerveja?

















































