Chef-à-Porter

Mesa SP : Mesa Tendências 27/10

Outubro,29 , 2009 · 1 Comentário

E começou!

Vou conferir nessa semana, o  Semana Mesa SP, o evento da revista Prazeres da Mesa que reúne no Brasil o que acontece de mais interessante, legal e bacanudo no mundo das panelas. O evento, que acontece no campus universitário do Senac Santo Amaro, começou agora dia 26 de Outubro e vai até o dia 30. São duas programações que juntas formam a semana:

O Mesa Tendências que nesse ano tem o tema cozinha evolutiva: das raízes a tecnologia, aonde ingredientes básicos e simples são reinterpretados e apresentados de outra forma, mostrando assim novas texturas, cores, aromas e sabores. As apresentações funcionam como um seminário, onde os chefs preparam pratos que dialoguem com o tema, suas impressões sobre ele e respondem perguntas do público.

Já o Prazeres da Mesa Ao Vivo é composto por aulas com chefs renomados do Brasil e do mundo, que demonstram o preparo de alguns pratos de seus restaurantes, mas de uma maneira mais minuciosa, pausada. As aulas são também uma boa chance de conversas diretamente com os mestres que mais se destacam, além de poder degustar no final da aula o que foi preparado.

Entre toda a programação de ontem, fui ver dois cozinheiros que sou fã, adoro, bato palma e digo amém:  Carlo Cracco, do restaurante Cracco em Milão na Itália e do nosso já conhecido Claude Troisgros, do restaurante Olympe, no Rio de Janeiro.

Cracco, um dos chefs mais comentados no país da bota, apareceu para a palestra com um dois ingredientes básicos e deliciosos: Azeite e ovos.

Prezando por uma apresentação minimalista, moderna e com muita criatividade, mas sem deixar de lado a cozinha clássica italiana que é cheia de vida, com ingredientes frescos e potentes, Cracco propôs interessantes obras, como um azeite que é congelado junto com manteiga de cacau, revelando assim outra textura, mas mantendo todas as características do azeite cru. Quando esse bloquinho de azeite congelado é ralado na frente do cliente, se formam pequenos flocos que derretem lentamente em contato com a massa quente, revelando todo o perfume e sabor do azeite.

Outra coisa que apareceu por lá e foi demais foram os ovos marinados. Funciona da seguinte forma: pegue a gema de um ovo, salpique com quantidades iguais de sal e açúcar e a coloque para descansar por 12 horas sobre um purê de feijão, sendo que esse só tem a função de manter a forma da gema, nada mais. Depois desse tempo, a gema se desidrata e mantêm a mesma textura, seja por dentro ou por fora.  As gemas são acompanhadas no prato por um creme muito delicado de parmesão, que é obtido se derretendo o queijo lentamente para que a gordura se separe da massa de leite, sendo só a massa aproveitada na preparação. A gema é disposta sobre o creme e o prato, guarnecido com folhas de claras de ovos, feitas através de uma coagulação lenta das mesmas dentro do forno.

Agora o terceiro prato foi um espetáculo, algo que sei que não agradou aos mais puritanos. Com as gemas que sobravam do serviço, Cracco as reaproveitou compactando todas e fazendo uma massa que parecia plástico, mas não eram nada mais do que ovos desidratados. Com a ajuda de uma maquina de macarrão, folhas finas dessa massa são abertas, que dão origem a um espaguethi laranja de primeira, que é acompanhado de um molho de tomate simples. Um acompanhamento que também achei demais foram às sementes de manjericão – que nunca vi por aqui – que pareciam muito com sagu, algo gelatinoso, mas com uma textura e sabores únicos.

Agora uma curiosidade: Carlo, que entrou na cozinha meio que por susto, queria na verdade ser padre, mas foi convencido –graças a deus – por seus pais a fazer outra coisa da vida.

Carlo Gracco

Carlo Cracco

 

Agora, fugindo de todas as regras e com aquele jeito todo carioca-francês que acho legal demais, Claude Troisgros roubou a cena. Mostrou vídeo de seus restaurantes, de quem compra frutas, verduras e peixes, os profissionais que trabalham com ele, sua família e o restaurante da sua família, o três estrelas guia Michelin Maison Troisgros, em Roanne, na França. Claude preparou durante a apresentação um prato bastante simples, mas que tinha sua beleza justamente aí.

Tudo começou com um gaspacho espanhol tradicional, mas sem pão ou azeite, para que ficasse bem leve. Todos os ingredientes foram picados de uma maneira grosseira e colocados para marinar durante algumas horas.  Em seguida foram processados e reservados para compor o prato como guarnição.

Em seguida um mix de mini vegetais orgânicos foi assado lentamente no forno, somente com sal, pimenta-do-reino moída na hora e azeite, a fim de preservar a cor, a textura e a forma dos mesmos.

Em seguida uma coisa bastante curiosa: com a idéia de preparar uma falsa batata para compor o prato, Claude fez uma massa muito parecida com aquela de tempurá, preparada com farinha de trigo, água gelada, mas que também tinha sal de frutas, que garantiam muitas bolhas e leveza.

E foi isso, nada mais. Mas acredite, ficou lindo de morrer. Os vegetais foram arrumados de uma forma muito simpática no prato – o que lembrava bastante o trabalho do genial Michel Bras – junto com as “batatas” e pequenas folhas de jambú, aquela erva amazônica que adormece a boca quando mastigada. Como pano de fundo, o gaspacho foi disposto a tingir de vermelho todo o fundo do prato.

No final foi aquela festa. Muita gente aproveitando a simpatia do Claude pra perguntar, trocas experiências e dar risadas.

Claude Troisgros

 

E as aulas continuam…estou ancioso pra conferir o esperado Jordi Roca e suas invencionices do El Celler de Can Roca

E vamos em frente!

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Sorvete e Paçoca

Outubro,23 , 2009 · 4 Comentários

Essa foi outra estripulia que aprontei…

No dia seguinte a vaca preta, o sorvete de creme continuou a aparecendo na hora da sobremesa e eu continuei torcendo o nariz pra ele. Impossível comer aquilo como continuação de umas das mais incríveis refeições que já tive, um bollito a moda antiga feito pelo meu pai, que disse ter ficado igualzinho ao que minha bisavó Corina fazia.

Comecei a pensar como transformar pela segunda vez o tal gelado sem ter que me agredir com aquele gosto de coisa industrializada, feita por gente em máscaras de médico e luvas de borracha. O drama pode parecer forte, eu sei, mas é assim que eu vejo a coisa mesmo. A solução parecia clara como o mais profundo azul do seu em um verão inglês: misturar alguma coisa pra criar uma nova sobremesa. Refrigerante não valia mais – não gosto de coisa repetida, parece falta de criatividade, como gente que vive sempre do mesmo jeito  – o que me fez lembrar daquela paçoca que sempre compro e guardo no bolso, um costume antigo que tenho pra estratégicamente matar uma vontade imperativa de doce que surge de vez em quando.

Procurei por tudo quanto foi canto até que achei a dita dentro do bolso de uma camisa xadrez de flanela, usada mais cedo pra ir tomar café na padoca quando comprei a guloseima de amendoim.

O processo de criação foi rápido e muito parecido com o da vaca preta: copo bacanudo cheio de sorvete, esfarela paçoca, joga no sorvete, mistura, mistura, mistura, tá pronto. Simples, fácil e um alívio instantâneo para aquela coisa que vive dentro de você e que grita por comida boa.

Não dá pra ficar sem

Não dá pra ficar sem

A criação que se deu na mesma toalha com estampas de girassol da Vaca Preta e foi sucesso instantâneo. Rendeu a todos uma colherada e muitos suspiros.

Final feliz pro bollito.

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Feira Andina

Outubro,21 , 2009 · 4 Comentários

Domingo, dia se sair pra rua.

Não que nos outros dias não sejam, mas domingo tem toda aquela coisa de acordar tarde, ir tomar café na padoca, voltar pra casa e começar a pensar o que fazer. Ir pegar um sol na piscina do Pacaembu? Pic-nic em algum parque da cidade? Ou começar a beber desde já com os amigos, já que não era tão tarde assim?

Pensando mais no meu estômago e menos em torrar ao sol, se empanturrar de cerveja ou ver meus quitutes serem atacados por formigas artroses, resolvi ir a um lugar que queria visitar fazia tempo: A feira andina do bairro do Parí. Pra você que está surpresa com à noticia se perguntando “como assim feira andina? Isso existe em São Paulo?” eu lhes digo, sim, ela existe! Fica em uma praça chamada Kantuta , que não é nada difícil de achar pertinho da estação Armênia do metrô. Tudo muito bem organizado e limpo, com música típica tocando o tempo todo e muita gente com a mesma idéia: aproveitar o dia de sol, dar risada e comer e beber coisas boas sem se preocupar com nada.

Com o mesmo espírito me pus rumo à feira, mas um pouco ressabiado. Quando vou a feiras  tenho vontade de comprar tudo que vejo. Pra não acabar falido e com dezenas de sacolas com coisas maravilhosas mas que vão estragar antes que consiga provar todas, uso a mesma técnica daquelas feiras livres de bairro: dou uma percorrida por todas as barracas vendo o que cada uma tem de mais legal e depois faço minhas compras com a consciência tranquila, comprando só que achei mais interessante.

Antes de começar a me esbaldar com o que a feira tinha de melhor, fui provar a raspadinha mais old school que eu já ví. Era feita em uma máquina daquelas de vó mesmo, bem antiga, mas muito bem conservada.

Old School raspadinha

Old School raspadinha

O gelo era moído na hora na sua frente e tingido com uma quantidade absurda de groselha.  A Vivi, grande amiga cozinheira não ficou atrás e pediu uma também. Saímos os dois felizes da vida, tingindo a cara de vermelho que nem criança pequena.

Groselha!

Groselha!

Andando e se lambuzando fui direto pra barraca dos pães, todos fresquinhos e muito bonitos. Muito parecidos com nossas broas de fubá, pois são feitos de milho. Já a textura é um pouco diferente, são mais firmes e não tão aerados, mas garantem um ótimo pão com manteiga, que já andei aprontando lá em casa.

Pão de milho

Pão de milho

Em uma barraca mais pra frente, encontrei dois produtos bem tradicionais dos Andes, que não fazia idéia nem que existiam.

O primeiro de chama papaliza, que parece uma batata, mas não é. Tendo um alto valor nutricional e sendo rico em vitamina c, esse tubérculo tem um grande poder cicatrizante, sendo indicado ao tratamento de lesões da pele e da acne.  Cultivado nos altiplanos de países com Bolívia, Peru, Colômbia e Equador a mais de 2.800 metros de altitude, pode aparecer  ocasionalmente em vales de países como Chile ou Argentina. Cresce sem problemas em ambientes gelados e secos, como também em solos secos, ácidos ou arenosos. Seu cultivo se dá preferencialmente em solos negros, com grande quantidade de fertilizante.

Papaliza

Papaliza

O segundo era milho. Até aí nada demais, só que esse era negro, uma das coisas mais esquisitas e legais que vi nos últimos tempos. A moça da barraca falou que não aquilo não era nada. Na Bolívia – onde ela nasceu e cresceu – existe milho das mais variadas cores, não sendo nenhum resultado de manipulação botânica ou genética.  Achei tão legal que comprei um pó de milho roxo – que é uma das outras variedades – pra fazer um mingau. Imagino que vá ficar algo como um cremogema mutante, mas não vejo a hora de provar.

Milho negro

Milho negro

No final não podia deixar de fazer uma parada pra comer alguma coisa. Já tinha visto uma barraca de salteñas que estavam lindas, douradinhas e com um cheiro de atrair a quilômetros de distância. Ficavam todas juntas dentro de uma estufa que mais parecia um carrossel-televisão-de-cachorro. Não tinha como não provar.

Carrossel!

Carrossel!

Comecei com uma de frango que estava uma estupidez de tão gostosa. A carne muito bem desfiada e temperada, com todos os ingredientes dela cortados de forma igual, bem pequenininho. Dava pra ver ali que era um trabalho de carinho, atenção, de alguém que realmente ama fazer aquilo. Além de tudo estava abarrotada de recheio e a massa de uma leveza e finura sem igual.

De frango...

De frango...

Como era impossível comer só uma mas já estava satisfeito, dividi com a Vivi uma de carne de porco que também estava perfeita. Recheio em abundância e ótimo tempero, repletos de amor e atenção.

E de porco

E de porco

A barraca em questão – que você deve ir comer quando aparecer por lá – se chama Salteña Los Camporales, da simpática família de mesmo nome que prepara e serve essas preciosidades em forma de quitute

Se você for lá, procure!

Se você for lá, procure!

E foi isso. Só faltava me arrastar pra casa, me deitar um pouco e aproveitar o resto do domingo vendo um filme ou ouvindo música. E assim a vida vai.

Feira Andina

Praça Kantuta , s/n – Pari

Pertinho da estação Armênia do metro. Junção entre a Rua das Olarias e Pedro Vicente.

Começa ao meio-dia e vai até o final da tarde. Pra que a pressa?

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Vaca Preta

Outubro,19 , 2009 · 1 Comentário

No final de mais um almoço de domingo na casa do meu pai, me apareceu um pote de sorvete de creme. Não gosto muito de sorvete assim, feito em “massa” – desculpem, mas não pude perder o trocadilho – pois são todos muito doces e pesados, além de levar uma quantidade de conservantes que não é nem bom  pensar a respeito. Não vou dizer que não como, mas passo longe de comprar um.

Todos se serviram, comeram e já estavam acabando quando um lampejo de infância me veio e não pude não me deixar levar por ele: Vaca preta.

Nem precisei levantar da mesa pra preparar. Peguei um copo daqueles bacanudos, completei de sorvete e mandei o refrigerante por cima. O que gosto é que na hora se forma uma espécie de espuma congelada, quase como uma raspadinha, que fica cheia de gás. O sorvete não derrete na hora já que o refrigerante é gelado, e o que se forma é um creme escuro que você não consegue parar de comer.

Vaca Preta!

Vaca Preta!

E você não pensa em mais nada e fecha os olhos. E se lembra de como tudo era ridiculamente simples, que você corria pela rua e raspava metade do dedão no asfalto. Que tocava a campainha e saia correndo ou que tinha vergonha quando uma menina ficava olhando pra você, mas mesmo assim gostava daquilo. Lembra do colo da mãe, da avó, de panela em cima do fogão, mesa e gente, sempre muita gente. Cheiros, música, conversas, tudo esta lá, enquanto o gosto da memória lhe atinge em cheio.

Acabou o que era doce

Acabou o que era doce

 No final sobre só saudade.

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Udon na frente do ventilador

Outubro,7 , 2009 · 1 Comentário

Ontem naquele calorão me deu vontade de comer uma coisa asiática, daquelas bem apimentadas, de tirar a camisa e enxugar o suor com a testa. 

Fui até a cozinha e comecei a caçar na geladeira e na dispensa o que poderia ir pra panela. Achei alguns vegetais na gaveta e um pacote de amendoins que estava lá no fundo da prateleira.  A pimenta também estava lá, saldo de um chilli que fiz outro dia, mas nada de macarrão.

Me pus então ao encontro da invenção chinesa que faz a alegria de quase todos os seres humanos – nunca conheci ninguém que não gostasse de macarrão – e para o meu espanto, no supermercado tinha Udon!

Udon

Udon

 

Pra quem não conhece, o Udon é aquele macarrão tradicional para cozinha japonesa. Não tem nada demais na verdade, ele também é feito de trigo, mas é muito leve e saboroso.

Feliz com o achado e com mais fome ainda, me pus pronto a cozinhar.

 

Udon, Ásia e legumes crocantes

Ingredientes:

3 cebolas roxas grandes

2 abobrinhas médias – só a parte da casca em julienne, mas por favor, guarde a polpa pra usar em outra coisa.

1 cenoura cortada em julienne

1 punhado de ervilhas tortas

1 pedaço pequeno de gengibre

200 gr de macarrão Udon

1 pacote de amendoins torrados sem sal

Azeite de oliva extra-virgem a gosto

Cardamomo em pó a gosto

Sal a gosto

Pimenta chilli a gosto

 

Modo de Preparo:

Comece cozinhando a massa, o que não tem nenhum segredo: Água fervente em abundância, sal e óleo na água, massa na água mexendo de vez em quando. Quando ela estiver quase no ponto, escorra e dê nela um banho de água fria. Nada de muito complicado, só mesmo aquele choque que vai garantir que a massa não continue cozinhando. Depois do processo, reserve.    

Não deixa passar!

Não deixa passar!

 

Corte as cebolas em fatias finas. Não se preocupe muito em manter um padrão perfeito de corte, tamanho forma e todas essas coisas, não é importante. 

Não precisa ser certinho!

Não precisa ser certinho!

 

Em seguida aqueça uma panela grande com azeite de oliva e junte a ele as cebolas. Some então o açúcar as cebolas e mexa para que cada fatia da cebola seja envolvida por ele, abaixando então o fogo até o mínimo possível.  Daí meu caro é hora se sentar e ter paciência, pois pra ficar bom, mas bom mesmo, as cebolas precisam caramelizar por igual, o que demora um certo tempo. Bom momento pra você retomar aquele livro ou concertar alguma coisa pela casa, mas não deixe de dar uma olhada de vez em quando e mexer as cebolas, garantindo que todas se caramelizem por igual. Como sempre digo por aqui, o exercício da observação é e sempre será altamente recomendado.

Caramelando cebolas

Caramelando cebolas

Quando todas as cebolas estiverem murchas, douradinhas e parecendo uma massa única, junte a cenoura e cozinhe até que fique crocante, mas não completamente cozidas. A seguir junte as abobrinhas – que cozinham muito mais rápido – e siga o mesmo mantra: crocantes, mas não cozidas.

Abobrinha na panela

Abobrinha na panela

A seguir rale o gengibre direto na panela, mas não precisa se preocupar com os fiapos, que vão ficar todos presos no ralador.

Ginger!

Ginger!

 

Mexa para que todos os ingredientes se combinem e tempere com  o cardamomo, a pimenta chilli e sal a gosto.  Acrescente então os amendoins e reserve aquecido.

Em uma panela a parte aqueça uma fina camada de azeite e nela cozinhe rapidamente as ervilhas tortas. Cuidado! Pois essas ervilhas são muito delicadas e cozinham muito, muito rápido. Quando ficarem crocantes, retire da panela e junte com os outros vegetais.

É rapidinho, se não passa!

É rapidinho, se não passa!

Agora sabe o azeite que ficou no fundo da panela junto com a “sujeirinha” da ervilha torta? Aproveite que ele está cheio de sabor e bem quente e de um susto na massa, dando aquele brilho bacana e um sabor a mais.

Aproveitando a "sujeira"

Aproveitando a "sujeira"

 

Junte a massa aos vegetais e incorpore tudo com cuidado para não quebrar os fios.

Acompanha bem uma cerveja gelada, mas uma dica: Manere na pimenta, ou você vai passar comendo na frente do ventilador.

Só alegria...

Só alegria...

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100 Cheesecakes

Outubro,4 , 2009 · 3 Comentários

Finalmente!

Já estava ficando um pouco desconfiado se ia acontecer mesmo, já que pelo sucesso, Luana Azeredo devia estar ficando maluca de tanto fazer cheesecakes. Para a minha sorte ela conseguiu mais uma vez, e eu pude finalmente me deliciar e ajudar o projeto one hundred cheesecakes a ajudar a ONG Banco de Alimentos.

Criador e Criatura

Criador e Criatura

A idéia do projeto funciona da seguinte forma: Você entra no site – www.100cheesecakes.wordpress.com – e escolhe entre uma lista de mais de cem sabores de cheesecakes que existem por lá. Depois encomenda e espera tranquilamente na sua casa, onde um cheesecake lindo e delicioso é entregue pela própria Luana. O valor é o mesmo para todos os sabores, R$ 100 reais, onde 30% do valor é destinado a Luana para cobertura de despesas, e os outros 70%, destinados a ONG Banco de alimentos.

Nham-Nham!

Nham-Nham!

Para quem não sabe a ONG Banco de Alimentos – a qual já comentei por aqui – é uma instituição que tem por fim recolher alimentos aonde eles sobram e que seriam possivelmente jogados fora, e redistribuí-los a comunidades carentes ou qualquer outra instituição que precise de ajuda com alimentação. Além disso, a ONG promove cursos sobre conscientização ao desperdício de alimentos.

Mas melhor que ajudar é comer, e nesse ponto o chessecake cumpriu bem a tarefa. O sabor que havia escolhido foi o deep dark chocolate fudge cheesecake, ou seja, a solução para todos os problemas da sua vida. Uma base que parecia um biscuit de tão leve, um recheio cremoso mas também levíssimo, que combinava com maestria o chocolate com o queijo, além de uma cobertura escura, espessa e super amarga, que completava a torta como uma coroa.

Numa bocada só!

Numa bocada só!

Mesmo pedindo o doce em porções mini – que eram cerca de trinta lindos cheesecakes que pareciam de brinquedo – tive que me segurar para não comer tudo de uma vez.

A única coisa ruim é que o projeto chegou ao fim e se bobear, o meu sabor foi um dos últimos a serem entregues. Será que Luana Azeredo não pensa em abrir uma “cheesecakeria” por aí?

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Sanduíche de Pernil

Setembro,29 , 2009 · 3 Comentários

No domingo me deu vontade de comer um sanduíche de pernil.

Confesso aqui que sou fã, doido, louco, tarado mesmo por um sanduíche daqueles bem feitos, com o carne bem macia, aquele molho que ficou assando junto com o pernil, embrulhado por um pão fresquinho. Não consigo pensar em nada melhor, juro.

Saí pela Peixoto, subi a Augusta e fui em direção ao BH, que fica ali na esquina na mesma rua com a Luís Coelho, pertinho da Av. Paulista. Sentei no balcão e fiquei olhando o movimento.

Coladinho no balcão

Você que está aí lendo e que só vai a restaurante emperequetados, cuidado! Esse post não é para você! Ainda é tempo de parar de ler e ir comer alguma coisa nos jardins ou Higienópolis, mas garanto que você vai estar perdendo uma das melhores coisas da vida.

Não fiquei enrolando muito e pedi de cara o sanduba. A coisa toda também é bem rápida, sendo que você vê todo o processo de criação, que eu adoro. Corta pernil, pernil na chapa, pernil no pão, você feliz. O processo não demora mais do que 5 minutos e o que chega pra você, é issoSanduba de Pernil

Pão torradinho, fatias fininhas de carne suculenta junto com o molho que assou todo o tempo junto com o pernil e queijo. E é isso. Ataquei e fui comendo em paz. A carne tá escapando por um canto do pão? Empurra ela com o dedo de volta. Pingando gordurinha do dedão? Chupa o dedo. Não vale nenhum tipo de censura o pudor, o que importa é aproveitar.

Depois de tudo não tem mais nada o que dizer.  Só alegria.

O final da festa

 

BH

Rua Augusta 1533, São Paulo

Telefone: (11) 3283 3653

Aberto todos os dias, o tempo todo, sempre

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Te Amo Vó

Setembro,14 , 2009 · 1 Comentário

Hoje apareci na casa da minha avó portuguesa de surpresa.

Era aquela mesma famosa por me curar com carinhos, gemas e açúcar, mas o uso das suas habilidades lusitanas não eram necessárias na hora, já que meu caso de coração quebrado e arrependido até os ossos não foi curado por açúcar ou qualquer outra gulodice, mas sim, o tempo.

Mas deixemos isso de lado e vamos aos fatos. Nada de receitas por aqui hoje, mas sim a descoberta de toda a magia que correm nos dedos da Sra. Esmeraldina da Conceição: Seus livros de cozinha.

A descoberta dos artefatos só foi possível devido a uma reforma na cozinha que estava acontecendo por lá. Fiquei um pouco chateado na verdade quando vi meu cômodo favorito da casa, onde passei a maior parte da minha infância rodeada por bolinhos de bacalhau e pratos de mingau, desfigurado, sem os tradicionais armários beges que garantiam aquele ar tradicional de casa de vó. Deu uma tristeza por dentro.

Enquanto almoçava e escutava minha avó contar animada como ficaria a cozinha – alguma daquelas bizarrices pré-projetadas e assinadas por arquitetos famosos em dar pés direitos de sete metros a restaurantes nos jardins – vi em um canto os livros e cadernos empilhados, velhinhos, amarelados pelo tempo, mas cheios de memórias e segredos.

Fiquei sabendo que o primeiro deles foi quando aos treze anos, no ano de 1949, minha avó freqüentou no SESI da cidade de Santos um curso de “habilidades do lar”, área mais do que importante quando se queria conseguir um marido.

O tempo passou, minha avó se casou, teve filhos, netos e agora já faz o mesmo míngua que fazia para mim para o seu primeiro bisneto, que chegou faz pouco tempo mas já corre grudado na barra da saia.

Desde lá muitas gulodices passaram pela mesa dos Rodrigues em festas de finais de ano, páscoas, dia das mães, pais, aniversários e tantas outras comemorações alegres ou tristes. Reinaram na mesa, sempre regidos pelas mãos da matriarca e que hoje, são auxiliadas pelas minhas.

Mesmo eu com 24 e ela com 74, só tenho a agradecer, mais do que tudo.

Foi daqui que começou...

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Brincando de Gaudí

Setembro,10 , 2009 · Deixe um comentário

Aconteceu agora pouco aqui em casa.

Queria comer um macarrão no jantar. Nada demais, só mesmo no azeite, com uma pimenta moída na hora e estava de bom tamanho. Coloquei a água no fogo empolgado e comecei a procurar por aquele macarrão, quase místico na sua dispensa, que você jurava que estava lá. Acontece que a massa está lá realmente, mas não se tratava de bavette ou mesmo bucattini. Era um pacote de massa de lasanha. Motivado pela fome e sendo alimentado nesse momento pela preguiça, resolvi usar aquela massa mesmo, só de um jeito diferente.

Primeiro cozinhei as placas de massa em água fervente, com sal e um fio de óleo. Cuidado para não cozinhar muito! As placas de massa têm que ficar um pouco firmes ainda, ou seu macarrão vai ficar mole e de dar pena no final. 

Não pode cozinhar muito!

 

Desligue então o fogo e com a ajuda de uma pinça, retire cada placa de massa de uma vez, colocando sobre uma tábua.

Na tábua

 

Daí então é só alegria. Com a ajuda de uma faca bem afiada – o detalhe é importante, se não a chance de rasgar e grande – corte a massa em formas geométricas, ou em triângulos ou como você achar melhor. Não tem que ser de um jeito só, qualquer um vale.  Não fique viajando muito nas formas, pois você tem que cortar todas as placas que ainda estão na panela antes que elas atinjam o ponto certo.

Brincando de Galdi

 

Depois de fazer os cortes coloque os pedaços de massa em um bowl grande, cheiro de água gelada e um fio de óleo. A água gelada vai fazer com que a massa pare de cozinhar e o óleo, que os pedaços não grudem uns nos outros. Espere cerca de 3 minutos, mexendo com movimentos leves os pedaços de massa com as mãos. Escorra e está pronto pra usar, como você quiser.

Assim ela não passa!

 

O que a fome e preguiça não fazem.

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Crumble com Garoa e Saudades

Setembro,7 , 2009 · 2 Comentários

Véspera de feriado em São Paulo.

Cinema, museu, andar pela Augusta e amigos são sempre coisas ótimas, mas chegando o domingo à noite e com a chuva fininha caindo lá fora, um sentimento de preguiça com tristeza e saudades começa a me tomar. Preguiça por um tempo que nós paulistanos já conhecemos bem e que já deveríamos até estar acostumados, mas que de um jeito ou de outro me manda de volta no passado, onde a garantia de olhares sinceros e beijos mornos parecia sem fim. Por um momento um sentimento de estorvo me tomou e fez com que eu soltasse as mãos, que antes andavam balançando pela rua. O que sobrou foi me sentir perdido, como um cego que anda devagar, com os braços esticados, tateando no escuro.

Daí a tristeza e as saudades.   

Lembrei então da minha avó, uma senhora portuguesa que sempre me embalou nos braços e garantiu que a solução para a maioria das tristezas pode ser curada com gemas, açúcar e algum carinho. Mesmo sem a garantia de carinhos, me pus pronto a fazer uma sobremesa. Nada muito difícil ou demorado, já que precisava acalmar rápido o estômago com algo doce contra o fel que me tomava, e o espírito, revolto como o mar.

Decidi por um Crumble, que apesar de origem inglesa e oposta aos doces de convento, cumpria bem a idéia.

 

Crumble de Maça

 

 Ingredientes:

 - 4 maças verdes grandes

 - 150 gr de manteiga sem sal gelada

 -  100 gr de farinha de trigo

 - 100 gr de amêndoas

 - 50 gr de açúcar

 - Cravo-da-índia em pó a gosto

 - Canela em pó a gosto

 

Modo de Preparo:

Comece picado grosseiramente as maças. Os pedaços realmente não precisam ficar iguais, só mesmo do mesmo tamanho. Se você quiser  pode tirar a casca, mas eu prefiro deixar, tanto por ficar mais fácil, quanto mais nutritivo.

Não precisa ser certinho...

 

Em uma panela grande derreta em fogo brando cerca de 50 gramas de manteiga, juntando a maça em seguida. Acrescente então o açúcar, o cravo-da-índia e a canela em pó e mexa para misturar tudo. Daí por diante a coisa toda toma forma por si própria, só mexa de vez em quando para cozinhar tudo por igual e garantir que nada grude no fundo da panela. Quando as maças estiverem macias, mas não desmanchando, retire do fogo e reserve.

Na panela com cravo, canela e açúcar

 

Em uma tigela junte o restante da manteiga com a farinha de trigo e as amêndoas picadas grosseiramente, até o ponto em que tudo vire uma grande “farofa”. Essa vai ser a cobertura do Crumble.

Farofa de manteiga, farinha e amêndoas

 

Coloque as maças em uma forma e cubra com a “farofa”, levando ao forno bem quente até que a cobertura fique dourada e crocante. Mais uma vez, como sempre digo por aqui, o exercício da observação é necessário. Faça o seguinte: coloque o seu forno no médio e dê uma olhada a cada dez minutos. Não tem o que errar, uma hora ele chega lá.

Saindo do forno!

 

Um crumble fica bom com muitas coisas: creme inglês, sorvete de creme ou uma boa companhia, sendo que nesse caso é perigoso e nada sexy jogar crumble quente sobre quem você gosta.

Faça o seguinte: Seja sempre sincero, dance, cante, dê risada, compre peixes e gatos, mude, durma até tarde, cozinhe, e ande de mãos dadas, nunca deixando espaço vazio entre os dedos.

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